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EDITORIAL
Linha da Vida e Comunidade.
Selma Uamusse, Presidente da Direção da Helpo
Dirijo-me, pela primeira vez, a todos vós, com alegria, honra, mas também a consciência da enorme responsabilidade nas novas funções que abraço, ainda que saiba que não o faço sozinha. Num momento em que se vive cada vez para mais dentro, em busca do interesse próprio, a capacidade de olhar para o outro e trabalhar com, em e para as comunidades, mudando muitas vezes a linha da vida de outros, a Helpo pode alegrar-se por fazer diferente e isso implica não baixar os braços e, não só aumentar a área de influência do seu trabalho, mas aumentar a qualidade do trabalho que é já feito nas diferentes geografias. À distância( curta), nos últimos 10 anos, tenho tido a oportunidade de testemunhar a forma da Helpo trabalhar para as comunidades, porque é em si mesma e na sua essência, uma comunidade. Rigor, seriedade, empenho, transparência, criatividade, compaixão, envolvimento, são algumas das características que posso apontar desta comunidade, dos colaboradores aos voluntários, madrinhas e padrinhos, financiadores e parceiros. Este é o gene comum: ninguém é uma ilha, a capacitação e melhoria de vida da comunidade importa.
Assisti, recentemente, ao encontro de padrinhos e madrinhas da Helpo, vindos do Norte e Centro do país, no qual uma madrinha relatou de forma emotiva a importância de ter estado no terreno e o efeito transformador que tinha tido esta viagem na sua relação direta com os afilhados e no seu compromisso para com a Helpo. Ao partilharemse e debaterem-se papéis, desafios, alegrias e tristezas foi notório o sentido de pertença de cada um, muito mais do que caridade, sentindo-se parte de uma comunidade, que se empenha em ser instrumento transformador da sociedade e na linha da vida de outros.
No âmbito do projeto Marias Meninas, foi apresentado recentemente o jogo“ Linha da Vida”. Uma ferramenta de sensibilização e consciencialização para as problemáticas da desigualdade de género no acesso à educação. Sou mãe de quatro meninas e acompanho com preocupação as contínuas desigualdades de género que teimam em manterse por todo o mundo. Portugal, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau não são exceção, daí ver com muito bons olhos a forma com que a Helpo tem estado na linha da frente no combate à desigualdade de género.
Em São Tomé e Príncipe, onde a taxa de desemprego nas mulheres é 3 vezes superior à dos homens, mas em que 40 % dos agregados familiares são chefiados por mulheres, estes agregados tendem a enfrentar maiores desafios socioeconómicos. No âmbito do projeto“ Sem Riscos de Género”, 22 mulheres em situação de vulnerabilidade social aceitaram o desafio lançado pela Helpo para trabalhar competências sociais, interpessoais e de empreendedorismo. Também, em Moçambique, arrancou, em Nampula e Maputo, o Projeto InFormar, onde 126 raparigas iniciaram formação para o acesso à vida ativa, após a conclusão da 12.ª classe. Uma formação que visa desenhar, implementar e validar um modelo de empoderamento de jovens mulheres.
São várias frentes, que dependem de cada um de nós e do efeito multiplicador das nossas forças conjuntas. Por isso, deixo o apelo para que continuem a participar ativamente nas várias iniciativas propostas pela Helpo.
Despeço-me com o pensamento Ubuntu em jeito de até já:“ Sozinhos, podemos ir mais depressa, mas juntos certamente chegaremos mais longe.”
Contem comigo!