Joaquim…Uma verdadeira mulher do
Norte, de Portugal e Moçambique, que
me ajudou ainda mais a deixar parte do
meu coração no Dombe…
E ele lá ficou com a minha amiga Inês,
de mais de 80 anos, que esteve com
o marido em cima de uma árvore du-
rante 4 dias e que, depois de receber
uma bicicleta, ia aprender a guiá-la sem
medos, logo a seguir. Lá ficou o meu
coração com a Joana, que também ficou
numa árvore durante 3 dias, onde, grá-
vida de 7 meses, prendeu os seus dois
filhos aos ramos, dividindo a árvore
com cobras. Lá ficou com o franzino
Samuel, que bravamente lutou com um
crocodilo, que o deixou com 90 pontos
no corpo. Lá ficou com os meninos de 2
a 5 anos, com quem cantei, brinquei, caí
no chão no infantário de Chitai-Tai, ou
com a minha Augusta, de 4 anos, cujos
olhos pediam mimo e abraços. Lá ficou
com os rapazes que lutam contra vícios
na Fazenda da Esperança. Lá ficou com
as minhas novas filhas adotivas do In-
ternato, com quem até hoje mantenho
contacto. Lá ficou com a Tina Joaquim,
que delicadamente me mostrou a sua
humilde nova casa no centro de reas-
sentamento, com o miserável acam-
pamento de Mococoi. Lá ficou com a
Hélia, o Asmy, o Joaquim, a Marta, Iraci,
Ildo, irmãs Rita, Mirian, Maria, Mª Tere-
sa, Pedro e equipa da MotaEngil. Tantas
caras, tantos rostos, tantas vidas!…
Há uma sensação estranha de olhar
para as situações que testemunhei
como enorme exemplo de exercício de
resiliência, onde não é o meu sorriso,
que traz esperança, mas a força de mui-
tos que nada têm. Apesar da resiliên-
cia e atitude positiva, há traumas, há
necessidades, há carência e penso para
comigo: “O que resta a estas pessoas,
que perderam tanto: casa, familiares,
animais e já não têm terras para culti-
var? Sobra … Esperança!”
Obrigada, Helpo, por poderem dar e ser
esperança para estas populações! Com
bens materiais e infraestruturas, é certo,
mas acima de tudo, com dignificação,
honra, cuidado e amor. E é com essa
revolução e revelação de amor, que me
ligo a vós que, de modo nada distante,
antes próximo e humilde, olhando para
cada um de forma distinta e individual,
honrando, amando, cuidando, criam
um pedacinho de céu na terra em tudo
o que fazem, através do amor.