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 ESPECIAL EMERGÊNCIA por ter sido tão rápido a ouvir as mi- nhas preces e, simultaneamente, cuida- doso, cauteloso, perspicaz e sábio no planeamento e condução desta viagem. Incansável, pragmático, meticuloso, co- municador, mas também bom ouvinte, por vezes olhava para ele a olhar para mim como se me estivesse a ler. Estou em crer que nos encontramos no cam- po da compaixão pelos outros. Foi bastante simbólico termos chegado a 1 de junho, Dia da Criança, a Pemba. Depois de uma ligação Lisboa-Maputo- -Pemba mesmo à tangente, a alegria das crianças na biblioteca de Pemba, a sua capacidade de organização num “evento” cultural recheado de poesia e teatro de intervenção, música e dança, deu um arranque esperançoso aos in- tensos dias que se seguiram. O Manuel Cipriano, grande dinamizador e colabo- rador da Helpo, ficou no meu coração pelo modo empenhado como diligen- temente cuida de um espaço, onde muito se partilha e aprende. A assertiva, pequena em estatura, Mariamo, que, de modo imparável, apresentou, coorde- nou, cantou, representou, declamou e suou, mostrando a sua grandiosidade de carácter… claramente estão ali “Fu- turos Presidentes”. Perdão, a Mariamo quer ser Governadora! Tudo a seguir foi bastante arrebatador: a visita à devastada e quase fantas- magórica Ilha do Ibo, onde vimos os escombros da escola em reconstrução, numa parceria da Fundação do Ibo e da Helpo, a distribuição alimentar que o World Food Program nos ajudou a acompanhar, a visita a Macomia, a ida de helicóptero a Mucojo… Árvores, casas, escolas destruídas, pessoas des- locadas, miséria, fome!... Mas sempre muita cor, música, sorrisos, as águas límpidas das Quirimbas, uma paisagem luxuriante apesar da destruição e mui- tos rostos, não sei se de esperança, se de falta dela. Não me posso esquecer do genero- so Baboo e da sua esposa, não apenas pela hospitalidade no Kauri junto ao mar, mas também pela grandiosidade de coração e pela maneira como vi este homem do Ibo de grande porte, abraçar o seu povo enquanto chorava sentindo ele também a dor, ou então os sorrisos do Diretor da escola, enquanto via a sua escola em Macomia a ser reconstruída durante as aulas das crianças, que de- corriam no exterior. Se foi pesada a estadia em Cabo Del- gado, mais se tornou quando ouvimos os relatos dos ataques armados, que as populações estão a sofrer, através do ministério da Iris e da Força Militar Bra- sileira. Mas foi em Dombe, na Província de Manica, que ficou o meu coração! Foi aqui que pude ver ou testemunhar o que aconteceu na sequência do ciclone Idai. E foi aqui que me pude apaixonar. A irmã Maria Teresa, do Instituto das Pequenas Missionárias de Maria Imacu- lada, disse-me: “Quem vai para o Dom- be e ama o Dombe, volta ao Dombe”… e eu sei que vou voltar!… Aqui, foi amor à primeira vista pela dedicada Liliana. Era suposto ela ser fã do meu trabalho musical, mas quem saiu de lá fã do trabalho dela enquan- to nutricionista fui eu… Como é que se consegue colocar assim o nosso cora- ção ao serviço dos outros e ser simulta- neamente tão eficaz, resiliente e doce… desde a distribuição das bicicletas da Mozambikes, à distribuição alimentar, do trabalho no Centro de Saúde com as pré-mamãs e bebés, ao rastreio, ao simples modo como falava com as pes- soas e o carinho com que tratava os colegas de trabalho, a Hélia, o Asmy, o