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 missão esperança. testemunho da cantora moçambicana Selma Uamusse Lisboa, Selma Uamusse N ão sei se já consegui pousar as asas o suficiente para poder escrever algo que consiga trans- mitir as sensações destes 10 dias de um Moçambique, que me era desconheci- do, mas tão fundamental conhecer. Acredito que as palavras que proferi- mos têm poder. Poder para abençoar, para fazer acontecer e que as palavras não caiem em saco vazio quando a von- tade do coração é sincera. No concer- to “Mão Dada a Moçambique” proferi o desejo de visitar as zonas afetadas pelas cheias na sequência do ciclone Idai e acompanhar o trabalho das ins- tituições, que estariam no terreno. Foi uma declaração intencional, mas nunca poderia imaginar que iria acontecer um outro ciclone (Kenneth), nem que a viagem com a Helpo fosse tão intensa, completa, emocional e espiritualmente revolucionária. Ainda por cima, não era apenas o desejo do meu coração: era-o também da mulher que esteve efetiva- mente de mão dada não só a Moçambi- que, mas também a mim durante todo o processo de produção do evento, longe dos holofotes, mas bem perto de todas as pessoas, processos, chatices, pepinos, berbicachos e dor. Lembro-me com demasiado pormenor de como ao longo do bonito concerto nos olhámos de sorriso choroso e dissemos uma para outra num abraço sincero: “temos que lá ir!” Khanimambo (obrigado), Felícia, por esta milha extra, que só faria senti- do contigo! Antes de começar a escrever, dei uma vista de olhos ao meu diário de bordo e acabei de ler uma carta, que me deixa em lágrimas, das meninas da Missão de Dombe (Internato Nossa Senhora Rainha do Mundo). Cito em parte a Fio- na e a Natália, “Selma… vieste sentir a dor do teu povo, muitos makorokotos (parabéns) por não teres deixado o teu país. Continua sempre no caminho de Deus, pois ele é chave para a vida… nos apaixonamos bastante pelo teu sorriso que dá esperança…” se elas soubessem o quanto estas palavras significam para mim!… Missão Esperança, acho que é um bom nome, não só para a viagem, a minha viagem que me faz duvidar se as minhas asas já pousaram ou não, mas também para todo o processo e todo o trabalho feito pelas pessoas da Helpo. Não consigo resumir a viagem em poucos caracteres, mas posso falar das pessoas que tocaram o meu coração e é com naturalidade que começo pelo Cazé. A minha proximidade com a Hel- po era alguma e data de há uns 4 ou 5 anos para cá, pelo que o Cazé não é um ilustre desconhecido. Tem sido o braço, que faz a ponte com a instituição, e a ele devo um agradecimento especial