cada um deles tem na vida das crian-
ças e jovens, que deles beneficiam, ou
seja, com as transformações efetivas e
positivas, que um projeto pode ser ca-
paz de causar. Numa fase de crescimen-
to no que toca à variedade de projetos
desenvolvidos nas comunidades, com
vista a melhorar a vida das pessoas, este
processo de investigação ganha uma
importância acrescida.
Investigação e Desenvolvimento
aplicado ao Ephawila
Alimentação escolar é um termo estra-
nho para a esmagadora maioria dos
alunos das escolas de Moçambique. Por
outro lado, “fome” é um conceito fami-
liar a muitos deles.
Inserido numa lógica de incentivo à
frequência escolar e de aumento da
motivação dos alunos, através da ame-
nização de uma falta substancial - a da
disponibilidade de alimentos suficientes
para a manutenção de uma vida saudá-
vel e de um nível de bem-estar aceitá-
vel -, a Helpo deu início, em 2014, ao
Ephawila, um projeto de apoio à confe-
ção e distribuição de merenda escolar,
que já tem lugar em 10 escolas primá-
rias de Nampula e Cabo Delgado.
O Ephawila nasce do desafio da comu-
nidade escolar da Escola Primária Com-
pleta de Mahera e a decisão de apoiá-la
enquadra-se nos objetivos de aumento
do número de crianças na escola duran-
te mais horas e ao longo de mais ciclos
escolares. A finalidade é a construção
de um percurso mais saudável e com
maiores oportunidades, finalidade que
“o estudo e a
análise são fun-
damentais, (...)
obriga-nos a
educarmo-nos
para conhecer-
mos melhor os
resultados”
a Helpo tem como pano de fundo em
todas as suas intervenções. Intuitiva-
mente, a distribuição alimentar, num
local onde a disponibilidade de comida
não abunda, tem tudo para causar um
grande impacto. Seria, então, necessá-
rio confirmar ou desmentir esta premis-
sa, com base em evidências, e foi isso
que fizemos.
A nossa pesquisa baseou-se nos núme-
ros oficiais do Ministério da Educação e
Desenvolvimento Humano e na perce-
ção dos nossos beneficiários diretos e
indiretos, mais concretamente, alunos,
professores e encarregados de educa-
ção. Apurámos o número de alunos
inscritos desde o ano letivo anterior ao
início do projeto, o número de alunos
à data do início e do final dos anos le-
tivos, e, finalmente, aplicámos inquéri-
tos aos beneficiários diretos e indiretos
com vista ao apuramento das suas per-
ceções sobre o projeto.
Esta análise, marcadamente simples
para a complexidade da realidade local,
indica-nos algumas possíveis correla-
ções, nomeadamente, entre a existência
deste projeto e o aumento do número
de alunos, que se mantêm na escola ao
longo do ano e, também, o aumento
da afluência de alunos à escola nos dias
em que ocorre a distribuição do lanche.
Em alguns casos, as desistências es-
colares caíram para metade, depois
do início do projeto. No entanto, esta
tendência tende a diluir-se no tempo,
com a diminuição das desistências a
aproximar-se gradualmente dos núme-
ros apresentados antes do início do pro-
jeto, à medida que os anos passam.