ESTÓRIAS
professores, que indicam como mais-va-
lias do projeto o aumento da motivação
dos alunos, da sua frequência escolar, e
da amenização da fome!
Dados os resultados da investigação,
que levámos a cabo, é possível afirmar
que 10 anos depois de termos dado iní-
cio à nossa intervenção no terreno, a es-
cassez ainda nos espanta. A carência ex-
trema e as condições em que as pessoas
vivem ainda nos chocam e surpreende-
-nos a sua capacidade de resiliência,
que é verdadeiramente extraordinária!
Quanta fome pode ter um aluno, que
frequenta diariamente as aulas nas
comunidades onde trabalhamos, para
considerar que uma ou duas merendas
escolares por semana são fundamentais
para os ajudar a estudar sem fome?!
Estas conclusões foram já apontadas
anteriormente por outros estudos cien-
tíficos. No entanto, neste caso particu-
lar, Ephawila é um projeto ainda em
fase embrionária, apesar dos anos com
que conta. É um projeto que não dispo-
nibiliza uma refeição, mas sim uma me-
renda e que não se reveste, ainda, da
regularidade ideal, tendo lugar apenas
uma ou duas vezes por semana, depen-
dendo da escola beneficiária. Com estes
pressupostos, o que mais surpreende
nesta análise é o resultado da perceção
de alunos, encarregados de educação e
Estas conclusões levam-nos a uma estra-
da de apenas um sentido: a implemen-
tação e expansão do projeto Ephawila.
Sendo imperativa a sua replicação, ele
deve fazer parte dos nossos objeti-
vos de angariação de fundos porque
é importante, não apenas como uma
ferramenta de combate ao absentismo
e desistências escolares, (haverá, por
ventura, intervenções mais eficazes para
a obtenção deste resultado), mas, so-
bretudo, como forma de proporcionar
algum bem-estar a uma população es-
colar brutalmente carente e desespera-
damente motivada para quebrar o ciclo
da pobreza no qual se encontra!
Se conhecermos as razões pelas quais
nos exigem as intervenções, conhece-
mos melhor os beneficiários e podere-
mos trabalhar melhor para multiplicar
resultados, onde eles são tão necessá-
rios!