Parecia que tinha sido ontem, a deixar aquela terra queimada
e pouco verdejante a esperar as chuvas abençoadas. As mes-
mas culturas a servir de jardim, junto às cubatas de matope
e cobertas de capim. Caminhantes descalços com pressa de
chegar. Crianças a despedir-se dos ainda
mal chegados. Galinhas, cabritos e porcos
a fugir dos gritos do motor daquele acele-
ra, zangueando a estrada sarapintada de
buracos e covas.
Nem as histórias, tornadas vidas naqueles
lugares, distraíam o condutor. Em Mahu-
nha, uma curta paragem, onde um peque-
no grupo nos saudou. Abraços e apertos
de mão efusivos, a lembrar a proximidade
e a arte de semear o bem. À medida que
nos deslocamos para Munimaca, muita
gente, a pé, engrossava aquele caminho
feito estrada. Junto à capela desta comu-
nidade estava um mar de pessoas a dar-
-nos as boas vindas. Conversámos, celebrámos e festejámos
para que o Bom Deus não faltasse naquele lugar perdido na
floresta e nas montanhas e abençoasse o trabalho dos faze-
dores das pontes da solidariedade e fraternidade.
Com a chegada das autoridades distritais e provinciais, deu-
-se início a uma festa inesquecível. Não faltaram discursos
de agradecimento, música, dança, comida, bebida e… dois
cabritos com que presentearam a Helpo e o Padre, pelo mi-
lagre sonhado. Passados que foram dez
anos, bem dizia uma velhinha perdida na-
quela grande multidão de Mahunha, onde
se inaugurou a segunda Escola Primária,
ambas com três salas e recheadas de belas
carteiras, quadros e de sistemas de aprovei-
tamento das águas pluviais: “Há que atra-
vessar distâncias, vencer medos e o sabor
da resignação. Hoje, aquilo que pensáva-
mos ser uma brincadeira, tornou-se uma
grande realidade!”
Parabéns à Helpo que ergueu, num sítio
longínquo, pobre e esquecido a epopeia da
solidariedade, ouviu os gritos do descon-
forto e do abandono das crianças! Para-
béns à Helpo por me ter proporcionado o (re)encontro com
os pobres deste mundo, que continuam a ensinar-nos que a
vida nunca tem as mãos vazias!
“Abraços e
apertos de mão
efusivos, a
lembrar a
proximidade e
a arte de
semear o bem”