MOÇAMBIQUE
ilha de moçambique
celebra 200 anos.
Nampula, Inês Faustino
Quem visita Moçambique e não chega à Ilha de Moçambique, deveria voltar para conhecer a primeira capital e a mais an-
tiga cidade do país. Única e de paragem obrigatória, a Ilha de Moçambique respira História a cada metro dos seus três mil
metros de comprimento por trezentos e cinquenta de largura. “Redescoberta” por Vasco da Gama em 1498, aquando da sua
viagem marítima para a Índia, era já um valioso entreposto comercial dos árabes nas suas ligações com a Pérsia, a Índia, as
Ilhas do Índico e o Mar Vermelho. A Ilha tinha o nome de Muipiti, assim diziam os nativos, e muitos eram os árabes que nela
habitavam. Quando os portugueses chegaram e se estabeleceram, deram o nome ao país a partir da ilha, cujo nome tem
origem num importante comerciante árabe, Mussa Bem Mbiki que ali vivia. Rapidamente se tornou num ponto estratégico
de paragem das viagens marítimas na rota Lisboa-Goa-Lisboa. Elevada a cidade em 1818, foi capital de Moçambique durante
os seguintes quatro anos, e celebrou, assim, este ano os seus 200 anos de cidade e de interculturalidade, a 17 de setembro
(feriado Municipal). Cidade de uma riqueza inigualável, foi classificada pela UNESCO como Património Mundial da Huma-
nidade em 1991, com um espólio arquitetónico único, nascido da fusão de várias culturas e de gentes de todo o mundo. A
Fortaleza São Sebastião, a maior da África Austral, erigida pedra a pedra durante trinta e dois anos (de 1588 a 1620), é exem-
plo dessa indescritível riqueza.
A Ilha de Moçambique situa-se na Província de Nampula e só desde a década de 60 se encontra ligada por via terrestre ao
continente, por uma ponte de 3,8 km de comprimento, projetada pelo Engenheiro Edgar Cardoso. Com cerca de 15 mil ha-
bitantes, a Ilha está divida em duas partes: a Cidade de Macuti, com construção tradicional local, com os seus telhados de
folha de coqueiro, onde vive a maior parte da população, e a Cidade de Pedra, dizem, construída com a pedra da Cidade
de Macuti e onde se encontram os principais monumentos. Todo este seu passado centenário torna a Ilha de Moçambique
num forte ponto de atração turística, sendo visitada por pessoas de todo o mundo ao longo de todo o ano. A celebração
dos 200 anos da cidade da Ilha de Moçambique é um orgulho para todos os seus habitantes e para a sua Província. Celebra
toda a sua história e a ligação com o mundo, sendo “Interculturalidade e progresso – Nampula na rota Mundial do Turis-
mo”, o lema das festividades.
A
inda que com muito menos
anos de História, a Coopera-
ção Portuguesa tem deixado
também as suas marcas na Ilha de Mo-
çambique, desde 2011, com a introdu-
ção do projeto Cluster da Cooperação
Portuguesa, que prevê uma interven-
ção de apoio em quatro frentes: Apoio
ao Desenvolvimento do Município da
Ilha de Moçambique; Upgrade Educa-
tivo e Formativo da Escola Profissional
da Ilha de Moçambique (hoje chamada
Instituto Médio Politécnico da Ilha de
Moçambique); Apoio ao Gabinete de
Conservação da Ilha de Moçambique; e
Promoção e Desenvolvimento do Ensi-
no Pré-escolar no distrito da Ilha de Mo-
çambique. A Helpo juntou-se ao Cluster
na sua segunda fase, em 2015, fazendo
a gestão do projeto do ensino pré-es-
colar, que conta com três escolinhas: o
Centro Infantil da Ilha de Moçambique
(CIIM), a Escolinha Pérola do Lumbo
(EPL) e a Escolinha Filipe Samuel Magaia
(EFSM).
Com as comemorações dos 200 anos
da ilha, muitas foram as atividades pro-
gramadas para todo o ano de 2018,
com forte presença no mês de setem-
bro. Toda a ilha se encontra em festa!
Também os mais pequeninos, das esco-
linhas do Cluster da Cooperação Portu-
guesa, estiveram envolvidos em muitas
atividades multiculturais, das quais gos-
taríamos de partilhar três.
Festival Internacional de Arte - As crian-
ças das escolinhas FSM e PL receberam
um grupo de músicos e artistas, com
quem cantaram, dançaram e com quem
realizaram uma atividade de grafitti in-
fantil nas paredes da Escolinha PL. As
crianças do CIIM realizaram, igualmen-
te, atividades de dança e de pintura em
papel e foram pela primeira vez visitar o
Museu da Ilha de Moçambique e conhe-
cer a História, à sua maneira, da cidade
onde vivem.
Tzoziva Infantil - A famosa feira gastro-
nómica, Tzoziva, que se realiza anual-
mente misturando cores e sabores,
teve este ano um gosto muito espe-
cial. Agendada para os dias 16 e 17 de
setembro, foi presenteada com a visita
do Exmo. Presidente da República de
Moçambique, Filipe Nyusi, que veio
inaugurar a feira e participar ativamente
no vasto programa planificado para es-