SÃO TOMÉ E PRINCIPE
medindo as crianças
de Lembá.
São Tomé, Miguel Yeep
No passado mês de abril, no seguimento do desejo manifestado pelo Ministério da Saúde de São Tomé, de ver o Programa
de Acompanhamento Nutricional Materno Infantil (PANMI) alargado a mais distritos, além de Cantagalo – onde a Helpo atua
há 6 anos –, e da Delegada de Saúde do distrito de Lembá ter expressado a sua preocupação quanto à ausência de apoio à
nutrição no seu distrito, deu-se início ao diagnóstico deste distrito.
O distrito de Lembá é o segundo maior em área, e o segundo com menos habitantes do país, com uma população residen-
te de 14.676 habitantes (RGPH, 2012). Situa-se na parte nordeste da ilha de São Tomé e faz fronteira a sul com o distrito de
Caué, a este com os distritos de Mé-Zochi e Cantagalo e a norte com o Oceano Atlântico. É constituído por 41 aglomerados
populacionais, tendo como capital de distrito, Neves. Esta encontra-se a 27km da cidade capital São Tomé, o que significa
que são necessários cerca de 45 minutos para lá chegar.
O diagnóstico teve como objetivo avaliar o estado nutricional de crianças menores de cinco anos de Lembá. Foram rastrea-
das 31,2% das crianças (778), em 12 comunidades: Brigoma, Sta Catarina Sede, Sta Catarina Praia, Diogo Vaz, Roça Lembá,
Neves, Ponto Samu, Arribana, Ponta Figo, Generosa, Ribeira Funda e Ribeira Palma. Durante o rastreio, as crianças sinaliza-
das com malnutrição aguda severa foram registadas pela enfermeira, que acompanhou as deslocações, e dadas a conhecer à
Delegada de Saúde, de modo a poder-se proceder ao tratamento e seguimento.
Este diagnóstico realizou-se com a participação da Coordenadora dos Projetos de Nutrição da Helpo em São Tomé e Prínci-
pe, Carolina Reynolds, com as nutricionistas estagiárias da Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade
do Porto, Rita Neves e Fátima Carlos, e com o Investigador Auxiliar da Faculdade de Motricidade Humana da Universidade de
Lisboa, Vítor Rosado Marques, em conjunto com a Área de Saúde do distrito de Lembá.
O rastreio nutricional permitiu apurar que em Lembá se está próximo da média nacional na prevalência de desnutrição cró-
nica (baixa estatura para a idade), ou seja, 20,6% e 21,7%. Já nas suas comunidades rurais essa taxa sobe para 26%. É urgen-
te que as intervenções para combater a desnutrição tenham lugar nas comunidades rurais e sejam próximas das famílias.
Lisboa, Vítor Rosado Marques
F
oi com muita expectativa, que viajei para São Tomé e
Príncipe (STP), para colaborar com a ONGD Helpo no
Projeto PANMI. A minha experiência em África é essen-
cialmente marcada pelas várias missões de cooperação cientí-
fica, que realizei na Guiné-Bissau. Elas enriqueceram-me mui-
to e deixam-me uma eterna saudade das terras africanas, dos
seus cheiros e cores, das pessoas, em particular, das crianças.
Por isso, interrogava-me como seria em STP.
Já conhecia vagamente o trabalho desenvolvido pela Helpo,
o que me dava a garantia de que a colaboração e a interação
com a equipa seriam boas.
A chegada a qualquer país africano tem sempre um forte
impacto, e a chegada a STP não foi exceção, com o calor e o
cheiro, este muito marcado pela humidade, ainda bastante