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 maria menina: um sonho que precisava de ser realizado. Cascais, Josefina Marau, voluntária Maria Menina S obrevoando o deserto do Saara in- terrogava-me sobre as motivações para esta experiência de volunta- riado africano e voltei a ter 11 anos! No liceu recebemos a visita de missionários da Raul Follereau e maravilhou-me a ale- gria que transmitiam por tratar doentes com lepra e a certeza de que, com pe- quenos gestos, poderemos ser parceiros de mudanças promotoras de uma vida melhor. E, mais de vinte anos depois, uma jovem, durante uma consulta, falava da sua experiência em África e os seus olhos brilhavam intensamente com o sonho a realizar no terreno: “é o que eu quero fazer na vida” (e com que orgu- lho fui acompanhando esta sua ativida- de!). Por mais isto e mais aquilo...e talvez unicamente porque os sonhos vivem e crescem dentro de nós e um dia preci- samos de os realizar para nos sentirmos vivos e para darmos mais sentido à nossa passagem pelo mundo… chego a Maputo e depois a Nampula, recebida por chuvas torrenciais e pelo cheiro da terra molha- da de que tanto gosto! Depois, fui envol- vida pelo carinho de boas-vindas na casa da Helpo e, naturalmente, integrada na equipa e iniciada nas tarefas agendadas. Para dar continuidade ao projeto Maria Menina foram identificadas jovens grávi- das ou que deixaram de estudar porque tiveram bebés. No sentido de lhes mos- trar, que estão sempre a tempo de apren- der e tomar decisões mais informadas e assim terem uma adultícia mais prepara- da, convidámo-las a participar neste pro- jeto. Resolvemos tentar responder às di- ficuldades identificadas, começando por “fabricar em casa um penso lavável”. Numa loja local, encontrámos tecido de lençol para o exterior, flanela como absorvente para o interior e pequenas molas. Usando como molde os pensos anteriormente distribuídos e a arte das voluntárias e dos alfaiates da Helpo, ve- rificámos ser fácil e barato o seu fabrico e, assim, ultrapassámos as dificuldades identificadas pelas jovens utilizadoras. Na manhã de 16 de março, recebemos jovens sorridentes e tímidas (algumas acompanhadas pelos animadores das comunidades e outras, pelos seus pais) com os seus bebés na capulana e al- guma interrogação no olhar. A equipa Helpo e uma representante do Ministé- rio de Género, Criança e Ação Social di- namizaram pequenos grupos onde dis- cutimos mitos e conceitos relacionados com a higiene feminina, ciclo menstrual e maternidade. Distribuídos os kits com 3 pensos, 2 calcinhas e uma barra de sa- bão, fomos ouvindo os comentários das formandas e clarificando dúvidas quan- to ao uso e manutenção dos pensos. Mais descontraídas, com alguns dos bebés sentados no chão ou no colo das formadoras, partilhámos um lan- che e recomeçámos a formação sobre planeamento familiar e prevenção das doenças transmitidas por via sexual. As fotos do final da manhã mostram rostos mais confiantes, sorridentes e que olham o futuro com confiança. Foi a última ação do meu voluntaria- do de 6 semanas! Vim mais grata pela minha vida e com a certeza de que pessoas, como as que trabalham na Helpo, fazem mesmo a diferença nes- tas comunidades. E o trabalho contí- nuo destas instituições com os locais é promotor do seu desenvolvimento. *Agradeço à Helpo, às Dras. Inês Faus- tino e Jacinta Gonçalves, pela forma calorosa como me receberam e me integraram nas suas tarefas diárias e por me terem permitido participar em muitas das tarefas da organização como parceira.