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ROBSON BRAGA DE ANDRADE, PRESIDENTE DA CNI:
As ferrovias brasileiras estão muito aquém das necessidades do País, tanto em extensão como na qualidade dos serviços
Foto Miguel Ângelo
Brasileiro de Infraestrutura). O fato é que a situação se tornou insustentável e colocou em xeque os investimentos nacionais em infraestrutura logística.
A advogada Mariana Dall’ Agnol Canto, especialista no setor, comenta que a preferência do País pelo modal rodoviário vai na contramão do desenvolvimento ambientalmente sustentável:“ Para transportar 100 contêineres de carga são necessários 100 caminhões, que emitem 73 toneladas de CO ². Se for realizado por trens, a mesma quantidade de carga demanda duas locomotivas, que emitem apenas cinco toneladas de CO ²”, compara. Mas, ainda assim, compreende os motivos desse ser a matriz do transporte no Brasil, com flexibilidade de rotas, de volumes transportados e até forma de embalagem dos produtos, fazendo com que seja o único capaz de atender determinadas cadeias logísticas.
A SOLUÇÃO FERROVIÁRIA
“ O Brasil possui uma infraestrutura logística deficiente. Pensando a longo prazo, os investimentos deveriam se concentrar na construção de uma malha ferroviária nacional moderna, ampla e integrada com outros meios de transporte.” Esta é uma das conclusões do estudo do IE, nas palavras de Jorge Hori, relator do projeto e consultor de Planejamento e Gestão do Instituto.
Contudo, estudos do Ipea mostram que o transporte ferroviário só é competitivo em relação ao rodoviário em se tratando de volumes de carga a partir de 350 mil toneladas mensais. Diante desta análise, somente para grandes empresas e produtores é possível substituir um modal pelo outro. Os médios e pequenos precisariam aguardar o final dos embates judiciais em relação ao frete mínimo para terem certeza de que este não será um ano perdido. E, ainda assim, estarão à mercê dos aumentos mensais do diesel até dezembro.
POR QUE INVESTIR EM FERROVIA?
Ideal para longas distâncias
Sem congestionamentos
Menos acidentes e roubos
38 % menos de emissão de CO 2 ou 0 % de emissão, se eletrificada
2,5 vezes menos impacto ambiental na construção da linha férrea em relação às rodovias
Grande capacidade de transporte
500 carretas de minério = 1 trem padrão com 134 vagões
50 caminhões = 1 trem padrão de contêineres
Redução de perdas por roubo de cargas, dificuldades de chegar ao destino, entre outras
Indutor de tecnologia e infraestrutura de utilidades para cidades( energia, telecomunicações etc.)
Fonte: IE – Ocupação sustentável do território nacional pela ferrovia associada ao agronegócio
Mariana Canto acredita que a saída para este segundo grupo está no cooperativismo.“ O sistema é peça chave para a viabilização da ferrovia, pois além de poderem reunir volumes de carga, têm a possibilidade de fortalecer seus interesses de melhores condições de atendimento no transporte”, esclarece.
O fato é que a utilização de ferrovias geraria, em média, uma economia de 30 % para o agronegócio, de acordo com o Ipea. Um percentual que colaboraria, e muito, com a competitividade do País na exportação de alimentos. Ainda mais com a tabela de frete mínimo negociada pelo governo, que segundo a CNA( Confederação Nacional da Agricultura) é inaplicável e, em 20 dias de vigência, causou prejuízos superiores a R $ 10 bilhões só com a elevação dos custos logísticos de soja e milho.
Enquanto essa movimentação não acontece, analistas preveem uma verticalização da operação de transporte, na qual produtores, cooperativas e agroindústrias passarão a comprar caminhões e cuidar do próprio escoamento de produtos. Inclusive os pequenos, que precisarão se organizar em cooperativas de transporte, com frota própria, para não perderem competitividade. É a solução planejada, por exemplo, pela Coxupé( Cooperativa Regional de Ca-
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