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LOGÍSTICA feicultores em Guaxupé), caso a justiça não considere a medida de tabelamento inconstitucional, uma vez que o frete entre a cooperativa e o Porto de Santos chegou a aumentar 37% desde que começou a nova cobrança de frete. MARIANA DALL’AGNOL CANTO, ADVOGADA: transporte ferroviário representa sete vezes menos risco de acidentes com morte em relação ao rodoviário PONTUANDO PROBLEMAS Para advogada Mariana Canto, a gran- de dificuldade do Brasil em mudar para o transporte ferroviário não é a falta de in- vestimento no setor, mas o modelo de ex- ploração imposto pelo Estado aos conces- sionários e, consequentemente, as perdas de eficiência dentro da cadeia logística. Ela fala dos projetos que tornam os concessio- nários responsáveis tanto por construção e manutenção da infraestrutura ferrovi- ária, quanto pela prestação do serviço de transporte, obrigando-os a disponibiliza- rem trens mesmo em trechos deficitários, que não raro sequer são utilizados, e man- tê-los conservados. A definição do traçado da ferrovia pelo Estado, o curto prazo dos contratos de concessão – 30 anos –, a insegurança ju- rídica da regulação setorial, os elevados custos decorrentes da universalização obrigatória dos serviços e a falta de infra- estrutura nas pontas (terminais e portos) fecham a gama de problemas encontrada pelos investidores. Não é por acaso que as ferrovias respondem por apenas 25% do transporte de cargas no Brasil. Apesar disso, tanto o Instituto de Enge- nharia como a CNI (Confederação Nacio- nal da Indústria) acreditam que investir na malha ferroviária é o melhor caminho a se seguir. No documento Mapa estraté- gico da indústria 2018-2022 , a CNI reforça que uma malha de transporte diversifica- da é essencial para a segurança logística e a competitividade de qualquer econo- mia. “As ferrovias brasileiras estão muito aquém das necessidades do País, tanto em extensão como na qualidade dos serviços”, enfatiza Robson Braga de Andrade, pre- sidente da Confederação. E ressalta que o documento oferece propostas de aper- feiçoamento do marco regulatório nes- sa área, com o objetivo de transformar o modal em uma opção importante para o transporte de cargas no Brasil. 36 WWW.MUNDOCOOP.COM.BR COMPARATIVO MALHAS FERROVIÁRIAS FERROVIAS PAÍS ( mil km ) ÁREA DENSIDADE DA MALHA ( mil km de trilhos / ( milhões km ) milhão km 2 de área ) 2 EUA 225 9,1 24,7 RÚSSIA 87 17,0 5,1 CHINA 86 9,6 8,9 ÍNDIA 64 3,0 21,3 BRASIL 10* 8,5 3,4 * O Brasil tem 29 mil km de ferrovias, porém apenas 10 mil km em operação Fonte: IE – Ocupação sustentável do território nacional pela ferrovia associada ao agronegócio