TECNOLOGIA NO COOPERATIVISMO
Ambos os profissionais concordam que as
cooperativas agropecuárias serão grandes
difusoras da Agricultura 4.0 para pequenos
e médios produtores, bem como aqueles que
fazem parte da agricultura de assentamen-
to. Britaldo Fernandez observa que a dinâ-
zendo resultados interessantes é a Inteligên-
cia Artificial: “Ela tem um papel fundamental
e será muito difícil o produtor não a utilizar
para análise e compreensão dos dados”. A no-
vidade, por assim dizer, já faz parte do portfó-
lio da empresa e é conhecida como Alice.
A assistente virtual foi desenvolvida para
ajudar os produtores nas tomadas de deci-
sões do dia a dia da fazenda e já interage por
voz em uma conversa muito mais natural.
“Esse sistema evolui rápido e quanto mais
interação temos com a Alice, mais inteligen-
te ela se torna. Essa evolução é muito maior
de correlação do que um ser humano con-
segue, com isso podemos automatizar os
processos e melhorar a produção”, co-
menta o especialista.
É claro que, para se trabalhar com
todos esses sistemas, não é só a agri-
cultura que precisa mudar. Produ-
tores, agrônomos, técnicos agrícolas e
boa parte dos personagens da cadeia pro-
dutiva de alimentos terão de se reinventar.
“É realmente uma coisa muito diferente para
todos nós e não são só os produtores que não
estão prontos para usar essa tecnologia”, en-
fatiza Sergio Marcus Barbosa, gerente-exe-
cutivo da ESALQTec-Incubadora Tecnológi-
ca. “Nós mesmos, que
somos agrônomos, não
estamos preparados. O
mais incrível é toda esta
revolução acontecendo
e a gente não aprende
na grade curricular das
universidades. Isso pre-
cisa ser revisto”, diz o
executivo, complemen-
tado por Fernandez:
“Esse tipo de tecnologia
é democrático. Com cer-
teza novos profissionais vão aparecer e cada
vez mais teremos especialistas na utilização
dessas informações. Mas já temos carência
dessa mão de obra, com falta de curso para as
fazendas cada vez mais inteligentes”.
SÉRGIO BARBOSA,
DA ESALQTEC:
as startups desenvolvem
tecnologia pensando nos
grandes produtores, por
isso os médios e pequenos,
provavelmente, serão
atendidos por suas
cooperativas
mica nas cooperativas já está mudando por
conta da tecnologia, pois a captação da infor-
mação em tempo real e a análise desses da-
dos permitem que seja identificada cada fa-
zenda cooperada a fim de saber as melhores
práticas que os técnicos
podem recomendar, o
que é melhor para cada
produtor e o que deve
fazer dentro da sua ca-
racterística.
Sergio Barbosa vai
um pouco mais longe:
“São elas que terão o
papel fundamental de
inserir mais produtores
nesse novo agro. E a es-
tratégia será adquirir as
tecnologias das startups e oferecer de forma
integrada para os seus associados”. O agrô-
nomo ressalta, ainda, que as cooperativas
poderão ajudar na validação das tecnologias
que estão sendo desenvolvidas, a exemplo
do que está acontecendo em Piracicaba, in-
terior de São Paulo, por meio da Coplaca-
na. “Eles criaram uma espécie de hub, que
terá startups próximas e de quem são vali-
dadas as tecnologias, pontuando as melho-
rias quando ela não se encaixa e fazendo a
conexão com o produtor rural que não está
acostumado ou mesmo não está estruturado
para a utilização da agricultura digital.”
MUNDOCOOP
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