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92:: HISTÓRIA:: MÓDULO 1
Em diversos momentos dessa penetração, houve a resistência armada dos povos nativos, mas o maior poderio bélico dos europeus acabou por derrotar os movimentos nativos.
Assim, entre os anos de 1875 e 1914, as relações entre os“ países desenvolvidos” e os“ não desenvolvidos” cresceram bastante. Não eram, porém, relações de igualdade ou de trocas entre duas regiões com autoridade e soberania. Ao contrário, foram criadas novas relações nas quais as populações da Ásia e da África foram controladas por potências estrangeiras, tendo sua economia e sociedade completamente dominadas e, em seu desenvolvimento atrelado a outros países, muitas regiões viram sua população ser brutalmente explorada e, em algumas ocasiões, massacrada pelo colonizador.
Agora, vamos acompanhar com um pouco mais de profundidade como esse processo se desenvolveu na Ásia e na África.
A Ásia frente ao imperialismo europeu
Os contatos entre europeus e asiáticos foram estabelecidos desde a Idade Média através da realização de trocas comerciais. As especiarias e produtos de luxo de diferentes regiões da Ásia eram muito valorizados na Europa e despertaram a cobiça de comerciantes. No século XIX, a presença europeia – ingleses, holandeses e portugueses--- poderia ser encontrada em áreas específicas e nas praças comerciais do litoral. No interior, os chefes políticos locais mantinham sua autoridade. Alguns países, com sociedades milenares, entretanto, resistiam bravamente impedindo a entrada de estrangeiros e o comércio com o Ocidente. Este era o caso da China e do Japão.
Entretanto, a partir de meados do século XIX, esse cenário se transformou e a dominação europeia, norte-americana e japonesa se estabeleceu sobre grande parte do continente. Observe o mapa.
Presença colonialista europeia na Ásia
São Petesburgo Moscou
Rússia
Império Turco
África
Arábia
Pérsia Afeganistão
Áden Oma
Oceano Índico
Índia
Mongólia Pequim
China Porto Arthur( Jap.)
Tibete
Coréia Japão Kiaochow( Alem.)
Tóquio
Birmânia
Hong Kong( Ing.) Kwangchou( Fr.)
Sião Indochina Filipinas
Sumatra
Malacca Bornéu
Célebes
Oceano Pacífico
Possessões inglesas
francesas holandesas japonesas turcas norte-americanas
Fonte: Mapa da Ásia e do Pacífico em 1914, com as possessões europeias. Adaptação do Atlas Histórico, Enc. Britânica.
O domínio estrangeiro sobre regiões da Ásia se realizou em quase todos os lugares conjugando o combate violento sobre todas as formas de resistência locais com estratégias para cooptar lideranças nativas. Em todo o tempo de colonialismo houve a presença de tropas para reprimir os chamados rebeldes, contrários ao domínio estrangeiros. E, paralelamente, havia da parte dos países europeus, missionários com seus discursos e suas escolas, mercadores com seus atrativos produtos, e o aparelho de Estado( com seus cargos, ainda que subalternos) para atrair apoiadores.
Na Índia, a Inglaterra estabeleceu seu domínio no interior do território, transformando-a em sua mais importante colônia. As autoridades políticas locais foram substituídas pela administração estrangeira e, a partir de 1876, a Índia foi declarada parte do Império britânico; os altos postos governamentais passaram a ser ocupados por funcionários ingleses. Entretanto, pertencer ao Império não significava uma igualdade entre seus cidadãos. Ao contrário, o que havia era uma rígida regulamentação que separava os indianos dos britânicos. A introdução forçada de tecidos ingleses na Índia levou à destruição das manufaturas domésticas, causando o desemprego de milhares de artesãos.
A ação das potências imperialistas na China, no entanto, tomou uma direção diferente. Durante muito tempo, o governo chinês recusou-se a abrir livremente seus portos para o comércio com os estrangeiros. As trocas comerciais – de chá, porcelana e tecidos chineses por metais preciosos – deixavam os europeus em grande desvantagem. Segundo o historiador Alberto da Costa e Silva, um dos destinos do ouro encontrado no Brasil, em Minas Gerais, durante o século XVIII era a China, onde os portugueses buscavam avidamente produtos de luxo e tecidos, importantes para trocar por escravos na África.
Em meados do século XIX, ingleses, franceses e norte-americanos passaram a estimular entre os chineses o consumo de ópio, plantado na Índia. A oposição do governo chinês a essa atitude provocou a reação inglesa e levou a conflitos armados conhecidos como a Guerra do Ópio( 1839-1842). A China saiu derrotada desses conflitos, sendo obrigada a assinar acordos que permitiram não só a entrada de estrangeiros no mercado local como também concederam a autoridade em algumas partes do país. As potências estrangeiras então dividiram o território chinês em zonas de influência.