Mod.1 História Cederj 1 | Page 93

CAPÍTULO 8:: 93
O país que se distinguiu nesse processo foi o Japão. Apesar de ter se mantido afastado dos contatos estrangeiros até meados do século XIX, a partir de 1868 um processo de modernização da economia liderado pelo governo – a Revolução Meiji – resultou em um desenvolvimento industrial importante. Por isso, no final do século XIX e primeiras décadas do século XX, o Japão já possuía condições internas e recursos para iniciar uma expansão imperialista sobre a Coreia e a China, buscando conquistar também áreas de dominação.
A África frente ao imperialismo europeu
Desde as primeiras décadas do século XIX, muitos europeus tinham se encaminhado para a África, explorando o interior do continente. Com essas viagens, ampliaram muito o conhecimento geográfico existente na época, atraindo cada vez mais os olhares estrangeiros sobre a região. Mas a presença europeia ainda se restringia a alguns pontos do litoral, e apenas poucas regiões eram controladas por portugueses, ingleses e franceses.
A campanha pela abolição do tráfico de escravos africanos, iniciada em fins do século XVIII, transformou a Inglaterra na grande adversária desse tipo de comércio. Para efetivar essa campanha, os ingleses fizeram tratados com países europeus e africanos e muitas vezes intervieram, capturando navios ou combatendo militarmente os que desrespeitavam os acordos. Na década de 1820, o tráfico de escravos acima da linha do Equador passou a ser proibido, e o litoral africano patrulhado pela marinha inglesa. O combate ao tráfico de escravos abriu as portas para uma presença europeia na África.
A década de 1830 marcou a mudança na relação entre africanos e europeus. A partir dessa data em diante, a África foi sendo dividida entre as potências europeias. Já discutimos as razões dessa divisão, ressaltando o fato de que a ocupação e exploração efetiva do continente deram-se bem mais tarde. Você pode observar esses aspectos nos mapas a seguir.
África durante o período imperialista
África em 1880
Argélia
Gâmbia
Senegal Guiné Portuguesa
Niger
Serra Leoa
Costa Dourada
Libéria
Lagos
Grand Bassam( França) Assini( França)
Cotonou( França) Porto Novo( Espanha)
Fernando Po( Espanha)
Britânicos Franceses Portugueses Turcos
Trípoli
Gabão
Angola
Congo
Egito
Nilo
Etiópia Lago Victoria
Lago Tanganika Lago Niasa
Zambezi
África em 1914
Saara Espanhol
Gâmbia
Guiné Portuguesa
Serra Leoa
Portugal Itália Bélgica Alemanha Grã-Bretanha França Espanha
Marrocos
Libéria
Costa Dourada
Argélia
África Ocidental Francesa
Togolândia
Gabão
Angola
Tunísia
Líbia
África Nigéria Equatorial
Francesa Camarões
África do Sul Ocidental Bechuanalândia
Egito
Congo Belga
Sudão Anglo-Egípcio
União Sul-Africana
Etiópia
Eritréia
Somália Francesa Somália Britânica
Somália Italiana
África Oriental Britânica Uganoa
África Oriental Alemã
Niasalândia
Rodésia do Norte Rodésia do Sul
Swazilândia Basutolândia
Fonte: Adaptação de BELLUCCI, Beluce( coord.). Introdução à história da África e da cultura afrobrasileira. Rio de Janeiro: CEAA-UCAM / CCBB, 2003, p. 76-77.
O ano de 1885 é visto como o da partilha definitiva da África entre os países europeus. Isso porque, nessa data, houve uma conferência em Berlim, convocada pela Alemanha e França, onde representantes diplomáticos de dezesseis Estados discutiram questões relacionadas ao continente africano, como a questão da região do Congo, considerada propriedade particular do rei da Bélgica até 1908( você pode localizar a região no mapa) e também os procedimentos para novas ocupações. Diante da mesa à qual se sentavam os diplomatas, havia um grande mapa da África; uma imagem forte, que deixava clara a autoridade que os europeus pretendiam exercer sobre o continente. Na realidade, foi após essa conferência e até os primeiros anos do século XX que os tratados feitos entre os países europeus efetivamente partilharam o continente entre eles.
A divisão da África pelos europeus caracterizou-se pelo desprezo a aspectos internos das populações nativas, criando países marcados pelo convívio entre povos com diferentes organizações sociais e culturais. Por isso, costuma-se dizer que as fronteiras traçadas foram artificiais, obedecendo muito mais a interesses e exigências dos países estrangeiros envolvidos na disputa por áreas de dominação. Outro aspecto importante é que, durante todo o tempo que os europeus realizaram ações imperialistas sobre a África, houve resistências e negociações estabelecidas pelos africanos com o propósito de impedir, dificultar ou reduzir o impacto causado pelo domínio estrangeiro.
A história da dominação europeia na África, a partir da segunda metade do século XIX, é também a história das diversas formas de resistência ao colonialismo. Por meio da luta direta, de boicotes, de sabotagens, de negação e fuga do trabalho a serviço dos europeus, os africanos deram repetidas vezes seu“ não” ao imperialismo. Foram diversos episódios, pouco ou nada registrados na história mais conhecida da conquista e manutenção do domínio