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90:: HISTÓRIA:: MÓDULO 1
já vimos nos casos da Itália e Alemanha. Na América do Norte, os Estados Unidos realizavam sua expansão territorial em direção ao oeste, contando com as ferrovias como meio de integração e a implantação de fábricas na costa leste para atender ao mercado consumidor interno. Por terem iniciado mais tarde seus processos de industrialização, as burguesias alemã e norteamericana enfrentavam a concorrência de produtos vindos de nações mais avançadas como a Inglaterra.
Por isso, em vez de adotar posturas ligadas ao liberalismo, que pregava a livre circulação de mercadorias e a não intervenção do Estado na economia, os governos alemão e norte-americano utilizaram mecanismos que protegiam o mercado interno e dificultavam a entrada de mercadorias estrangeiras, reservando o mercado para os produtos nacionais. Além disso, o investimento governamental no sistema de transportes foi muito importante para garantir a distribuição dos produtos industrializados pelo país. Assim, a ação protecionista dos governos se tornou, muitas vezes, indispensável para garantir o crescimento da atividade industrial e o fortalecimento das burguesias nacionais.
A intensificação da concorrência resultou em transformações no funcionamento do sistema capitalista. Muitas pequenas indústrias não tiveram condições de sobreviver no mercado, e, em várias atividades, algumas grandes companhias conseguiram obter um grande controle sobre a produção e comercialização de determinada mercadoria, atuando em diversos países.
Na Alemanha, indústrias concorrentes fizeram acordos comerciais entre si, estabelecendo uma divisão do mercado e também os preços para os consumidores. Essa prática ficou conhecida como cartel, e ainda ocorre nos dias atuais apesar de proibida pelos governos. Nos Estados Unidos, os trustes surgiram através da fusão de várias empresas do mesmo ramo em um grande conglomerado, que dominava completamente a oferta de determinada mercadoria – formando um monopólio. Dessa forma, a livre concorrência foi perdendo espaço na economia capitalista, dando lugar para o que foi chamado de capitalismo monopolista.
O imperialismo nos séculos XIX e XX
O fator maior do século XIX é a criação de uma economia global única, que atinge progressivamente as mais remotas paragens do mundo, uma rede cada vez mais densa de transações econômicas, comunicações e movimentos de bens, dinheiro e pessoas ligando os países desenvolvidos entre si e ao mundo não desenvolvido. [...] Essa globalização da economia não era nova, embora tivesse se acelerado consideravelmente nas décadas centrais do século. Ela continuou a crescer – menos notavelmente em termos relativos, porém mais maciçamente em termos de volume e cifras – entre 1875 e 1914.( HOBSBAWN, Eric. Era dos impérios. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1988.) Leia com atenção o trecho acima. Nele, o historiador inglês Eric Hobsbawn identifica alguns aspectos já discutidos em capítulos anteriores, como o desenvolvimento das relações econômicas entre diferentes continentes e o aumento da circulação de pessoas, mercadorias, informações... Devemos lembrar que essa tendência era muito facilitada pelas novas tecnologias na área de transportes – caso das ferrovias e da navegação a vapor – e das comunicações – como o telégrafo.
Entretanto, as ideias de Hobsbawn apontam um outro aspecto do que ele entende como um processo de“ globalização”, que é o crescimento das ligações dos países desenvolvidos com a parte do mundo que ele chama“ não desenvolvida” – ou seja, as regiões do mundo onde a sociedade capitalista e liberal não existia. E Hobsbawn indica também um período no qual esse crescimento ocorreu, destacando os anos situados entre 1875 e 1914. É sobre este aspecto que nos concentraremos no último item deste capítulo.
Para discutir como e por que ocorreu esse crescimento das ligações entre os mundos desenvolvido e não desenvolvido, é necessário, em primeiro lugar, identificar que regiões ou países integram um e outro grupo. Vamos pensar um pouco no que vimos até agora: se estamos tomando como ponto de partida a existência de uma sociedade capitalista, que países poderiam ser identificados como“ desenvolvidos” na década de 1870? A Inglaterra, com toda a certeza. França e Bélgica também. Itália e Alemanha, como vimos, poderiam integrar esse grupo, principalmente após suas unificações no início da década de 1870. Na América, os Estados Unidos intensificavam seu processo de industrialização e iniciavam uma política de expansão de sua economia para outras áreas do continente americano.
E o mundo“ não desenvolvido”, ou seja, não capitalista e não liberal? Sobre que regiões estaríamos falando em fins do século XIX? Podemos apontar os continentes africano e asiático, com certeza. Mas, se para os europeus essas áreas eram vistas, de uma maneira geral, como atrasadas em termos econômicos e culturais, devemos sempre prestar atenção ao fato de que nelas existiam sociedades bastante diversas, com estruturas políticas e econômicas construídas ao longo de séculos.
Para relembrar algumas informações sobre esse tema, releia o capítulo 2. Lá, você encontrará os principais aspectos das sociedades que se desenvolveram nos continentes africano e asiático. Isso pode ajudar muito na compreensão do item que estudamos agora.
Foi principalmente sobre a África e a Ásia que os países capitalistas ocidentais, além da Rússia e do Japão, procuraram expandir suas relações econômicas entre os anos que vão de 1875 a 1914. Essa expansão significou a dominação desses continentes por potências estrangeiras e uma grande exploração das populações africana e asiática, que se estenderam até meados do século XX. Esse processo foi chamado de imperialismo, pois, ao impor seu poder sobre regiões distantes, as potências industriais criaram impérios formados por colônias ou países cujo governo e economia eram controlados por eles, em diferentes continentes. Daí a utilização, também, de termos como colonialismo ou neocolonialismo para conceituar a dominação dos países industrializados sobre a África e a Ásia no período que mencionamos.
Se você voltar às reflexões que desenvolvemos no capítulo 4, poderá identificar que, durante o processo de expansão marítima e comercial nos séculos XV e XVI, os europeus estabeleceram muitas relações com povos africanos e asiáticos. Relações essas que eram fundamentais para o desenvolvimento do comércio – de escravos, metais preciosos, marfim, especiarias e outros produtos de luxo.