CAPÍTULO 8:: 89
Assembleias. Na Inglaterra e na França, por exemplo, os trabalhadores travaram muitas batalhas para conquistar esse direito e, assim, poder ter representantes comprometidos com suas reivindicações. Esse era um ponto muito defendido pelo movimento cartista, que vimos no início deste capítulo. Como resultado dessas mobilizações, no início do século XX, o sufrágio universal masculino foi conquistado em alguns países. As mulheres, entretanto, continuaram sem poder eleger ou serem eleitas...
Em fins do século XIX, portanto, podemos observar um cenário político europeu marcado pela disputa entre diferentes ideologias e grupos sociais. Comunistas, anarquistas, liberais e católicos disputavam o apoio da sociedade a seus diferentes projetos e propostas. Os operários se mobilizavam, pressionando governos e empresários, lutando pela revolução ou pelo direito ao voto. Os patrões, muitas vezes ligados ao governo, exigiam que as manifestações operárias fossem reprimidas, acionando forças policiais e judiciárias. A questão social permanecia mobilizando mentes e corações. Porém, não era a única. Outro movimento importante conquistava os europeus: o nacionalismo. Essa é a discussão que teremos a seguir. entre os habitantes dos diferentes Estados que compunham o território da futura Alemanha e Itália.
Em ambos os casos, as regiões mais industrializadas lideraram o processo. A Prússia, no que se tornaria a Alemanha, e o reino de Piemonte-Sardenha, no que seria a Itália. O fato de serem industrializadas fazia aumentar o interesse na unificação, pois traria às suas burguesias e elites maiores mercados e mais força política nas disputas e concorrências com outros países europeus. Na Itália houve uma participação ativa também do sul da península, área mais empobrecida, porém muito combativa na luta nacional, na qual o líder Giuseppe Garibaldi comandava as tropas.
Após a unificação, em ambos os países foram implementadas políticas para integrar as antigas regiões, padronizando leis e taxas e impondo uma língua nacional, reprimindo as diferentes línguas regionais. E, apesar da participação de camponeses na luta pela unificação, como nas tropas de Garibaldi, a estrutura social foi mantida bem como a concentração de terras nas mãos de poucos. Nessa época houve uma grande migração de camponeses italianos sem terra em direção aos países da América, como os Estados Unidos e o Brasil.
A força do nacionalismo e os processos de unificação da Itália e Alemanha
Hoje, vivemos em um mundo dividido em nações. Somos brasileiros, por isso diferentes de argentinos, chineses e egípcios. Acreditamos ter uma História particular, nossa, e alguns aspectos que nos tornam únicos. Pode ser a língua, a colonização portuguesa, uma certa maneira brasileira de ver o mundo. Temos uma identidade, que pensamos ser comum a todos que vivem no país. Por isso, por fazermos parte de uma comunidade com traços comuns, acreditamos que temos direito a um governo nosso e que nenhum outro país pode estabelecer qualquer tipo de dominação sobre o Brasil. O mesmo acontece com outros países do mundo. Assim, relacionamos diretamente a existência de uma comunidade nacional com a existência de uma autoridade política dessa comunidade, um Estado.
Entretanto, esse mundo tão familiar a nós é muito recente. Foi somente no século XIX que as ideias de nação e nacionalismo se desenvolveram entre as pessoas. E, junto com elas, a defesa da centralização política em um Estado Nacional, cuja autoridade se estendesse sobre um território que deveria ser defendido. Você pode achar estranho, mas foi nessa época que se fortaleceu a ideia de que uma determinada comunidade, com cultura própria, deveria ter um Estado próprio, livre do domínio de um país estrangeiro.
O sentimento de pertencer a uma nação foi fundamental no surgimento de dois países importantes no cenário mundial: a Alemanha e a Itália. Até meados do século XIX, eles não existiam como os conhecemos atualmente, mas encontravamse divididos em diversos Estados, independentes uns dos outros ou controlados por diferentes países europeus.
Naquela época – no caso da Alemanha um pouco antes – surgiram movimentos sociais e políticos realizando ações que buscavam derrubar barreiras alfandegárias e lutar contra o domínio externo. O pensamento nacionalista alimentava a luta e os partidários da unificação procuraram construir um sentimento de unidade
Transformações na economia capitalista em fins do século XIX
No capítulo 7, discutimos o surgimento do mundo da fábrica e da sociedade capitalista, na passagem do século XVIII para o XIX. Da Inglaterra, as indústrias se expandiram primeiro para alguns países da Europa, como Bélgica e França. Outras partes do mundo, como os países da América recém-independente, participavam do sistema capitalista através da vinculação de suas atividades econômicas agroexportadoras ao mercado mundial e do consumo de produtos industrializados europeus. Os avanços tecnológicos continuaram a introduzir novidades no mundo industrial. Em fins do século XIX, a energia a vapor tinha sido substituída pela eletricidade e pelo petróleo, incentivando o investimento nos setores petroquímico, siderúrgico e eletroeletrônico. Por outro lado, as regiões ricas em petróleo, como o Oriente Médio, passaram a ser consideradas áreas estratégicas para o desenvolvimento industrial das nações europeias e norte-americana – como são ainda hoje.
Um importante aspecto que caracterizou a economia capitalista foram as mudanças nas relações estabelecidas entre os bancos e as indústrias. Tradicionalmente, o setor bancário participava das atividades industriais através de empréstimos, financiando novos investimentos. Nesse sentido, o setor bancário e o industrial permaneciam separados. No entanto, na segunda metade do século XIX os bancos começaram a comprar ações das empresas, assumindo o controle de companhias que atuavam nos setores industrial, comercial e agrícola.
Em outras palavras, as novas empresas capitalistas ramificavam-se em bancos, estradas de ferro, serviços urbanos, indústrias siderúrgicas... O capital financeiro, dos bancos, passava a controlar o capital industrial. Grandes fortunas foram conquistadas e os banqueiros destacavam-se como alguns dos homens mais poderosos do mundo.
No decorrer do século XIX, novos países iniciaram sua industrialização, como