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88:: HISTÓRIA:: MÓDULO 1
e partidos, pois a luta política era muito importante para a criação de uma nova sociedade. Através de movimentos revolucionários, o proletariado conseguiria tomar o poder e iniciar a construção do comunismo. Após a conquista do poder, o Estado seria controlado pelos trabalhadores, que instalariam a ditadura do proletariado. A propriedade privada dos meios de produção seria abolida e passaria a ser controlada por toda a sociedade. Assim, não haveria classes e, finalmente, o próprio Estado seria extinto. Neste ponto, teríamos a sociedade comunista.
A interpretação das ideias de Marx e Engels fez surgir o marxismo, pensamento que influenciou fortemente o movimento operário a partir da segunda metade do século XIX. Muitos sindicatos e partidos políticos se organizaram para promover a revolução socialista e a tomada do poder pelos operários, participando ativamente da vida política em seus países durante todo o século XX. Mas, os comunistas não estavam sozinhos no movimento operário e disputavam com os anarquistas a liderança e o apoio dos trabalhadores.
O anarquismo
Você já deve ter ouvido a palavra anarquia ou então alguém ser chamado de anarquista. Esses termos não são tão incomuns no nosso dia a dia. Procure se lembrar em que ocasiões eles foram utilizados. Provavelmente, em situações onde havia um pouco de“ bagunça” ou“ desorganização”. Contudo, esse é um significado que surgiu mais recentemente. As palavras anarquia e anarquismo se referem a uma corrente de pensamento que surgiu no século XIX e teve um papel muito relevante no movimento operário. O importante é que saibamos o seu significado original, percebendo como ele se modificou até adquirir o significado que tem atualmente.
O anarquismo tem suas raízes no final do século XVIII, mas se desenvolveu com força no século seguinte. Assim como os comunistas, os anarquistas defendiam o fim da propriedade privada. Entretanto, e esta é a sua principal característica, eles pregavam também o fim de todas as formas de governo, acreditando na possibilidade de estabelecer uma sociedade onde os homens se associariam livremente. Para os anarquistas, o Estado e suas instituições – como a polícia, as forças armadas ou o sistema judiciário – deveriam ser extintos, criando uma organização social baseada na cooperação entre os indivíduos, que organizariam a distribuição das riquezas produzidas de acordo com a necessidade de cada um.
Em alguns países, os sindicatos anarquistas conquistaram bastante apoio entre os trabalhadores, conduzindo as lutas dos operários. Muitas vezes, disputavam a liderança sindical com correntes marxistas, como já dissemos.
Agora, talvez seja mais fácil compreender por que anarquismo e anarquia são hoje em dia identificados com“ bagunça” ou“ desorganização”. Porque esse pensamento pressupõe a ausência de qualquer forma de autoridade e uma organização livre dos próprios membros da sociedade. Não é uma sociedade sem lei, mas um projeto social de liberdade e cooperação entre os homens. Lembre-se disso a próxima vez que escutar essas palavras.
A doutrina social da Igreja Católica
No decorrer do século XIX, o movimento operário atingiu grande força em vários países da Europa. Os sindicatos, fossem eles comunistas ou anarquistas, conquistavam cada vez mais apoio entre os trabalhadores e as mobilizações – como greves e passeatas – aumentavam. A contestação à dominação da burguesia estava na ordem do dia. Por isso, a poderosa Igreja Católica sentiu a necessidade de elaborar e divulgar a sua visão da questão social – como resolver o problema da miséria e os conflitos entre operários e patrões.
Em 1891, foi publicada a encíclica( documento aberto no qual o papa expõe publicamente a visão católica sobre determinado assunto) Rerum Novarum. Nesse documento, a Igreja Católica reconhecia e condenava a desigualdade existente na sociedade capitalista e a pobreza que caracterizava a vida dos operários. Para superar tal situação, o papa pregava a necessidade de reformas que tornassem o capitalismo mais humano e impedissem a exploração dos trabalhadores.
Patrões e operários deveriam se conciliar e trabalhar em harmonia, guiando suas ações pelo espírito cristão--- aí ressaltada a importância da caridade. Ao invés do conflito, o papa indicava à burguesia que não explorasse os trabalhadores com altas jornadas diárias e baixos salários, ao passo que os operários deveriam trabalhar com responsabilidade e sem provocar alterações na ordem. Todos guiados pelos valores cristãos. O trabalho das mulheres e crianças deveria ser regulamentado, assim como alguns direitos garantidos aos trabalhadores. Para a Igreja, os sindicatos eram reconhecidos como associações legítimas dos operários, mas a ação revolucionária e a luta de classes eram totalmente repudiadas.
O liberalismo e a democracia
Ao lado das ideologias surgidas no movimento operário, que buscavam propor caminhos para o fim da exploração e das injustiças sociais, o século XIX assistiu ao fortalecimento do liberalismo político. Se você voltar ao capítulo 7, verá que já discutimos essas ideias. Nos séculos XVII e XVIII, os pensadores iluministas defenderam que todos os homens nasciam com alguns direitos, a saber: à liberdade, à igualdade e à propriedade. Acreditavam, ainda, que a autoridade política só poderia existir se tivesse o consentimento dos cidadãos e que o poder dos reis deveria ser limitado – por outros poderes e por uma Constituição.
A partir desses princípios, muitas lutas políticas se desenvolveram em vários países da Europa e também nas Américas, onde as ideias de igualdade e liberdade estiveram presentes nos processos de emancipação das colônias espanholas, inglesas, francesas, portuguesa... Nos países europeus, cresceram os movimentos liberais, que lutavam para que constituições fossem escritas e respeitadas pelos monarcas, assegurando a igualdade de nascimento entre os cidadãos.
Em alguns momentos, como nos movimentos ocorridos em 1848, em países como França, Áustria e Prússia, liberais e socialistas lutaram juntos contra monarquias absolutas ou autoritárias. Porém, essa união sempre foi breve, uma vez que os dois grupos possuíam ideias e interesses opostos. Os liberais eram grandes defensores da sociedade capitalista e se colocavam contra aqueles que defendiam a ordem tradicional – como alguns setores da nobreza e os reis absolutistas. Defendiam a propriedade privada e a liberdade de ação econômica.
Já os socialistas e anarquistas, principalmente a partir de meados do século XIX, tinham como objetivo por fim à sociedade capitalista e estabelecer uma nova organização social. Previam o fim da propriedade privada e, com ele, o fim da burguesia.
Nesse processo de lutas sociais, a questão da organização dos partidos políticos e da extensão do direito de voto ganhou grande destaque. Para vários setores da sociedade, uma forma de defender seus interesses e participar do governo era através da eleição de representantes para ocupar cargos em Parlamentos e