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CAPÍTULO 7:: 81 população masculina para o exército, os inimigos estrangeiros foram sendo vencidos e expulsos da França. A Revolução, portanto, estava assegurada.
Enquanto o Terror se aprofundava, os jacobinos implementavam uma série de leis de caráter democrático como o sufrágio universal, a abolição da escravidão nas colônias francesas e a distribuição gratuita de terra entre os camponeses. Também tornaram obrigatório e laico o ensino primário para todos os franceses. O tabelamento dos preços dos alimentos e dos aluguéis, uma reivindicação dos sansculottes, foi decretado pelos jacobinos. Por último, na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, escrita em 1793, uma lei assegurava a assistência pública a todos os cidadãos que não conseguissem sobreviver, seja por falta de emprego ou por impossibilidade de trabalhar. Através de todas essas leis, os jacobinos buscavam construir uma sociedade com maior igualdade entre os cidadãos. Igualdade não só de nascimento, mas também nas condições materiais de vida, o que era uma ideologia extremamente inovadora e radical para o século XVIII.
Entretanto, o apoio aos jacobinos foi diminuindo com o passar dos meses. As medidas autoritárias do Terror afastaram muitos deputados da planície que, em 1793, haviam apoiado Robespierre. Já as novas leis que beneficiavam as classes mais pobres assustaram os políticos moderados e a burguesia. O sufrágio universal, o fim da escravidão e a ideia de que o direito de propriedade privada era limitado pelas necessidades sociais levaram à oposição as correntes que não desejavam transformações mais profundas na distribuição da riqueza na sociedade. A abolição da escravidão trouxe uma dupla ameaça a importantes setores sociais: colocar um fim na participação francesa no lucrativo tráfico negreiro e abalar o poder dos proprietários rurais nas colônias.
O isolamento político de Robespierre causou sua destituição em julho de 1794. Os girondinos voltaram ao poder, e, poucos dias depois, foi a vez do líder jacobino e seus assessores mais próximos morrerem na guilhotina. Nos meses seguintes, o Terror se voltou contra os jacobinos.
A Revolução, para os homens que sucederam Robespierre, fora longe demais. O tabelamento de preços foi abolido e uma nova Constituição, votada em 1795, restabeleceu o voto censitário e criou outra Assembleia para governar a França, o Diretório.
A terceira fase da Revolução Francesa( 1795-1799)
Após a queda dos jacobinos, os grupos mais radicais da Revolução foram controlados pela repressão. Alguns movimentos foram organizados contra o Diretório, como a Conspiração dos Iguais, que pretendia tomar o poder e restabelecer a Constituição feita durante o período jacobino, mas sem sucesso. A participação popular no processo revolucionário seria, daí em diante, controlada e reprimida.
A situação dentro da França, entretanto, permanecia muito grave. No Diretório, diferentes grupos políticos se enfrentavam, sem conseguir estabelecer um mínimo consenso. Defensores do rei ainda tentavam organizar uma reação, enquanto os remanescentes dos jacobinos buscavam se reorganizar. Vários golpes de estado foram executados nesse período.
A guerra contra as monarquias estrangeiras prosseguia, o que exigia o direcionamento de recursos econômicos e humanos para os exércitos. Com esses conflitos e a instabilidade política, a economia francesa cambaleava e a escassez de alimentos era um dos tormentos da população e do governo.
Foi diante desse cenário que a liderança de Napoleão Bonaparte se firmou como salvadora. Napoleão era um jovem general, que se colocara a serviço da Revolução e sempre fora próximo aos girondinos. Destacando-se como um líder militar, Napoleão consagrou-se em 1796, quando derrotou a Áustria e estendeu o poder francês sobre os Estados italianos.
Para alguns membros do Diretório, era a figura necessária para estabilizar o poder na França. Assim, em 1799, organizou-se mais um golpe de estado, o último deles, que entregou o governo francês a três pessoas, entre elas Napoleão. A Revolução tinha, ali, seu fim. Mas era o início do longo domínio de Napoleão Bonaparte.
O período napoleônico( 1799-1815)
O governo de Napoleão Bonaparte foi marcado pela consolidação dos aspectos da Revolução Francesa defendidos pelas correntes políticas moderadas. Controlando a ação e as reivindicações dos grupos de esquerda, mais radicais, Napoleão conseguiu estabilizar a situação política e assegurar à burguesia o ambiente necessário para o desenvolvimento dos negócios. Para isso, foi fundamental a repressão a seus críticos e a censura à imprensa.
Após dez anos de revolução, durante os quais as leis mudavam de acordo com os governos que se sucediam, em 1804 foi promulgado o Código Napoleônico, garantindo a proteção do Estado à propriedade privada. Essa legislação ainda fortalecia o poder burguês, proibindo a organização de associações de operários, ao mesmo tempo em que permitia as associações de empresários. A criação do Banco da França, único responsável pela emissão da moeda, permitiu ao governo controlar melhor as finanças do país e enfrentar a crise econômica que marcou os anos revolucionários.
Diversas políticas públicas foram implementadas durante o período napoleônico, como a construção de uma rede de estradas que, embora pensada para facilitar manobras militares, beneficiou a economia ao possibilitar o escoamento da produção e maior integração do mercado interno. A educação pública foi muito estimulada, com a construção de escolas de ensino básico em cada cidade francesa e com a criação de cursos técnicos e universitários que pudessem fornecer homens capazes de colaborar com o desenvolvimento econômico, militar e administrativo do país.
Em 1804, após um plebiscito popular, Napoleão transformou-se em imperador, pondo fim ao regime republicano instaurado em 1792, durante a Revolução. A ideia de império não era estranha aos planos de Napoleão. Desde 1796, quando liderou a conquista da Itália, a França se envolvera em inúmeras guerras contra outros países, com o objetivo de expandir sua hegemonia na Europa.
Em algumas regiões, como a Itália, Napoleão indicou para o governo seus parentes e generais, substituindo os príncipes locais. Outros países, como a Espanha, estabeleceram acordos com Napoleão e, durante algum tempo, não se envolveram em guerras contra a França. Os Estados alemães também seguiram um caminho semelhante. Já a Rússia, após derrotas militares, submeteu-se ao governo de Napoleão. Desta forma, em fins da década de 1800, o poder napoleônico se estendia por grande parte da Europa, como você pode observar no mapa a seguir.