CAPÍTULO 7:: 77 ações vigiadas; a produtividade e o ritmo da produção seriam determinados pelas máquinas e pelo patrão. Com horário de entrada, saída e descanso determinados, multas por atraso e cartões de ponto, o tempo dos trabalhadores se subordinava ao interesse do empresário. Afinal de contas, nem um minuto poderia ser desperdiçado, pois, como já escutamos muitas vezes,“ tempo é dinheiro”.
A fábrica, portanto, foi o meio não só de multiplicar os lucros dos capitalistas, mas de sujeitar completamente os operários à sua autoridade. Com ela, os industriais conseguiram o completo controle sobre os trabalhadores, nas palavras do nosso desiludido operário inglês.
Produzir mais, vender em todo lugar: o nascimento do liberalismo econômico
Se pensarmos no que foi discutido até agora, veremos que o século XVIII europeu apresentou uma série de novidades. Propostas de reforma, propostas de revolução. Novos rumos para a política e a cultura. Estímulo à ciência. Surgimento das fábricas, com um extraordinário aumento da produção de mercadorias. A economia não ficou de fora desse processo de inovação e, no final do século, surgiu na Inglaterra uma nova forma de pensamento econômico que ficou conhecida como liberalismo. Lembrem-se das bases do liberalismo político, colocdas pelo Iluminismo.
As ideias que caracterizam o liberalismo econômico foram elaboradas a partir de uma crítica forte às práticas mercantilistas. Você deve se lembrar disso, pois o mercantilismo foi discutido no capítulo 3. Vimos, então, que as monarquias europeias buscavam estimular o desenvolvimento do comércio, tido como a principal forma de conseguir riquezas. Com esse objetivo, o Estado intervinha diretamente na economia, interferindo nos impostos de importação e exportação, buscando controlar as trocas comerciais com suas colônias, fazendo guerras contras outras potências europeias.
Entretanto, essas práticas começaram a sofrer críticas durante o século XVIII. Em primeiro lugar, a ideia de que o comércio era a principal atividade econômica para o enriquecimento dos reinos foi contestada. Alguns pensadores, principalmente na França, defenderam a visão de que a agricultura era a base do crescimento dos países. Por isso, diziam eles, o Estado não deveria adotar medidas para incentivar o comércio, mas se concentrar no desenvolvimento das atividades ligadas à terra. Esse pensamento econômico ficou conhecido como fisiocracia.
Na mesma época, na Inglaterra, surgia a corrente de pensamento chamada de liberalismo econômico. Seu principal autor foi Adam Smith que, em 1776, publicou A riqueza das nações. Neste livro, Smith afirmava que a riqueza de um país era produzida pelo trabalho dos homens, de acordo com as capacidades e os talentos de cada um.
E, mais importante, o que garantia o enriquecimento de um país era a liberdade da economia, sem a intervenção do Estado, deixando que os homens se desenvolvessem sozinhos. Por isso, o liberalismo econômico condenava todas as ações que interferiam nas trocas comerciais – por exemplo, a tentativa das metrópoles europeias de fazer com que suas colônias comerciassem somente com companhias indicadas pelo rei. Para Adam Smith, ao contrário, todos os países e colônias deveriam comerciar livremente entre si.
Da mesma forma, ele não admitia que um país colocasse altas taxas de importação sobre produtos estrangeiros para proteger a indústria nacional, já que isso tornaria mais difícil a concorrência entre os produtores de determinada mercadoria. Para o liberalismo econômico, porém, era a concorrência que traria benefícios à economia, pois obrigava as empresas a oferecer produtos melhores ou mais baratos para vencer seus concorrentes. Ela deveria ser, então, estimulada e não controlada.
Assim, toda a economia deveria se desenvolver em torno do mercado, onde os indivíduos ofereceriam seus produtos( incluindo sua capacidade de trabalho) com total liberdade e os mais competentes e capazes seriam os vencedores. Essa era a lei natural da economia, de acordo com a qual o governo deveria ter o mínimo de intervenção e poder possíveis.
O pensamento de Adam Smith e o liberalismo econômico tiveram uma grande repercussão na Europa e nas Américas. E não só no século XIX, quando se espalharam por vários países: até hoje, as ideias do liberalismo são importantes na discussão sobre economia. Desde a década de 1980, elas retornaram com força ao debate, sendo reunidas sob o nome de neoliberalismo. Por isso, para entender nosso tempo, é muito importante conhecer o pensamento liberal.
A Revolução Francesa
“ Liberdade, igualdade, fraternidade”. Com certeza, você já ouviu essas palavras. Elas formam um lema muito famoso nascido durante a Revolução Francesa, processo ocorrido entre 1789 e 1799, que transformou a sociedade francesa e exerceu influência direta na história de muitas outras nações. Ao lado da Revolução Industrial, que se desenvolvia na Inglaterra construindo a economia capitalista, o processo revolucionário francês ofereceu ao mundo novos modelos de governo e novas ideologias.
As transformações geradas pela Revolução Francesa adquiriram tal importância que esse processo passou a marcar, nos estudos de História, a passagem da Época Moderna para a Época Contemporânea – no ano de 1789. Portanto, as perguntas que devemos nos fazer são: O que foi a Revolução Francesa? Quais foram os principais agentes? Quais as transformações que ocorreram? Quais as ideias que os revolucionários franceses defenderam e por que elas se espalharam pelo mundo?
Nosso primeiro passo para responder a essas questões será identificar os principais aspectos da sociedade francesa no século XVIII e os conflitos nela presentes.
A França no século XVIII
Você já ouviu falar de sociedade de Antigo Regime, não? Esse conceito apareceu diversas vezes nos capítulos anteriores. Nessas situações, estávamos nos referindo às sociedades europeias existentes entre os séculos XVI e XVIII, que possuíam algumas características particulares.
Uma delas era a estrutura social do Antigo Regime, ou seja, a maneira específica de organizar os grupos sociais e estabelecer uma hierarquia entre eles. Para entender esse aspecto, procure pensar na sociedade em que você vive. Que tipos de pessoas podemos encontrar no Brasil atualmente? Quais as semelhanças e as diferenças entre elas? Podemos reuni-las em diferentes grupos? Quem ocupa uma posição social mais elevada e por quê? Quais os grupos que estão localizados em posições mais baixas e por quê? Ao responder a essas perguntas, você consegue identificar como está estruturada nossa sociedade.