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CAPÍTULO 7:: 73
Finalmente, em 1688 e 1689, ocorreu um movimento denominado“ Revolução Gloriosa”, quando os líderes do Parlamento estabeleceram um acordo com Guilherme de Orange, soberano da Holanda casado com um membro da família real inglesa. Segundo esse acordo, o rei holandês assumiria o trono da Inglaterra com o apoio do Parlamento, mas se comprometeria a assinar e respeitar uma nova organização política, estabelecida através de um conjunto de leis conhecido como“ Bill of Rights”.
Essa legislação determinava que, dali em diante, o rei inglês não poderia decretar novos impostos ou suspender a vigência de leis sem o consentimento do Parlamento. Também a organização e manutenção do exército seriam supervisionadas pelo Parlamento.
A partir daí, podemos identificar duas transformações na organização da sociedade inglesa: o fim do absolutismo monárquico, com a limitação do poder real pelo Parlamento, e a ascensão política de grupos sociais ligados às atividades comerciais – como a burguesia e a pequena nobreza.
O Iluminismo
Você já ouviu falar de intelecto? Sabe o que fazem as pessoas que são chamadas de“ intelectuais”? De acordo com uma das definições do Dicionário Houaiss da língua portuguesa, intelectual é alguém que desenvolve uma atividade pensante com o objetivo de estudar e compreender o mundo. Intelecto quer dizer capacidade de entendimento. Portanto, os intelectuais seriam pessoas que desenvolvem sua capacidade de compreender as coisas.
No nosso cotidiano, pode ser que vejamos a atividade desenvolvida pelos intelectuais como algo muito distante, que não interfere na nossa vida. Muitas vezes, porém, aquilo que eles pensam, criticam ou propõem tem, sim, reflexo para a sociedade. Vamos tomar como exemplo a escola. Pense nas disciplinas que você estuda. Reflita sobre o conteúdo discutido em cada uma delas. Como eles foram definidos? Quem estabeleceu o que os alunos devem aprender? Talvez você responda que é o governo quem decide. Sim, o governo tem o poder de estabelecer normas e regras que devem ser seguidas pelas escolas em todo o país, mas, para chegar a essas normas e regras, muitos intelectuais, como pedagogos, historiadores, matemáticos, geógrafos, físicos, biólogos, discutiram com os órgãos governamentais, participando da elaboração das leis que regulam a escola que você frequenta atualmente. Assim, as ideias dos intelectuais, das pessoas que se dedicam a pensar e estudar a educação, são muito importantes e se transformam em leis, políticas e conteúdos a serem trabalhados pelos professores nas salas de aula.
Você já deve ter percebido, então, que toda vez que falamos de intelectuais, falamos de pensamento, reflexão, estudo. Essas três ações, muitas vezes, acabam produzindo críticas sobre a maneira como as coisas são realizadas na sociedade e podem resultar em propostas de mudanças. Pensando bem, nós também fazemos isso. Muitas vezes, refletimos sobre determinado assunto e, a partir dessa reflexão, criticamos alguns pontos e propomos modificações. A atividade do pensamento é profissão do intelectual, mas está presente em todos nós.
Esta longa introdução serve para nos aproximar de um processo muito interessante que ocorreu na Europa no século XVIII: o Iluminismo, ou Ilustração.
Sem partir de um lugar específico, mas tendo a Inglaterra e a França como centros, uma série de pensadores, denominados filósofos, produziu uma reflexão muito importante sobre a sociedade europeia e suas ideias tiveram uma grande influência sobre muitas pessoas na Europa e nas Américas, levando-as a defender um outro tipo de organização social e política.
O Iluminismo tinha como princípio básico a defesa do uso da razão pelos seres humanos, como forma de compreender e explicar os fenômenos do mundo. O próprio nome do movimento vinha da ideia de que era preciso levar as“ luzes da razão” às pessoas que viviam guiadas pela ignorância e superstição – segundo as palavras dos filósofos. Mas, o que é a razão? Para os pensadores iluministas, era um atributo do ser humano; todos nasciam com a razão, ou seja, a capacidade de desenvolver um raciocínio e um pensamento próprios sobre as coisas que existiam e aconteciam no mundo.
A crença dos iluministas na capacidade humana de entender os fenômenos da natureza estimulou muito o desenvolvimento da ciência nos séculos seguintes. Em busca do“ verdadeiro” conhecimento, que deveria ter bases racionais, muitos indivíduos se dedicaram à observação, à experiência e à pesquisa. O objetivo era, através desses procedimentos, descobrir as leis que organizavam o funcionamento do mundo – as leis da física, da matemática, da biologia, da história, da economia. Assim, seria possível compreender os problemas existentes e resolvê-los, garantindo para as sociedades um futuro marcado pelo progresso.
A crítica ao poder das Igrejas
Acreditando no princípio do pensamento guiado pela razão, os iluministas criticavam fortemente o poder que as Igrejas exerciam sobre as pessoas. Usar a razão humana para descobrir por que e como as coisas aconteciam significava questionar as explicações religiosas, que os sacerdotes se esforçavam em transmitir aos fiéis. As crenças antigas, baseadas na tradição, também deveriam ser abandonadas.
Voltaire, um dos mais importantes pensadores iluministas, afirmou:“ O homem deve deixar de ser mero espectador ao receber uma mensagem – quase sempre religiosa – e tornar-se agente de seu próprio destino.”
A crítica às explicações do mundo baseadas na religião não deve nos levar a imaginar que os filósofos iluministas não acreditavam em Deus. Pelo contrário, eles defendiam a existência de um ser superior, que criara o mundo e tudo o que nele existia. Porém, os filósofos achavam que a natureza havia sido criada por Deus para funcionar como uma máquina perfeita, e que os homens tinham capacidade para entender esse funcionamento.
Assim, explicar por que as pessoas morriam, por que uma epidemia ocorria ou a quebra de uma colheita não era mais função dos sacerdotes, mas dos homens através de seu pensamento. O mesmo acontecia com as questões sociais. A pobreza de um grupo social, por exemplo, não deveria ser vista como expressão da vontade divina, mas explicada por características do funcionamento e da organização da própria sociedade ou por características do próprio indivíduo.
A crítica ao Estado Absoluto e à sociedade de ordens
Além da forte crítica às igrejas, os iluministas atacaram abertamente o absolutismo dos reis, que já discutimos anteriormente. Se você voltar ao capítulo 3, vai relembrar que a crença de que Deus havia escolhido os reis para governar justificava o grande poder que eles possuíam. Porém, se os iluministas defendiam