Mod.1 História Cederj 1 | Seite 61

C APÍTULO 6 :: 61 :: Trecho do Regimento de Tomé de Souza, 1549 :: Eu, El-Rei, faço saber a vós, Tomé de Sousa, fidalgo de minha casa, que vendo eu quanto serviço de Deus e meu é conservar e enobrecer as capitanias e povoações das terras do Brasil e dar ordem e maneira com que melhor e mais seguramente se possam ir povoando, [...], ordenei ora de mandar nas ditas terras fazer uma fortaleza e povoamento grande e forte, em lugar conveniente, para daí se dar favor e ajuda às outras povoações e se ministrar a justiça e prover nas cousas que cumprirem a meu serviço e aos negócios de minha Fazenda e a bem das partes. [...] Tanto que tiverdes assentada a terra para seguramente se poder aproveitar, dareis de sesmarias as terras que estiverem dentro do dito termo, às pessoas que vô-las pedirem, [...] e não dareis a cada pessoa mais terra que aquela que boamente, e segundo suas possibilidades, vos parecer que poderá aproveitar. [...] Em cada uma das ditas Capitanias praticareis, juntamente com o capitão dela, e com o Provedor-mor de minha Fazenda, que convosco há de correr as ditas Capitanias, e assim com o Ouvidor de tal Capitania e oficiais de minha Fazenda que nela houver, e alguns homens principais da terra, sobre a maneira que se terá na governança e segurança dela, e ordenareis que as povoações das ditas Capitanias, que não forem cercadas, se cerquem e as cercadas se reparem e provejam de todo o necessário para sua fortaleza e defensão. O estabelecimento do governo-geral levou ao surgimento progressivo de novas instituições e cargos político-administrativos na colônia. Os mais importantes foram os cargos de ouvidor-mor, responsável pela justiça; provedor-mor, que supervisionava as finanças e a arrecadação de impostos; e o de capitão-mor, responsável pela defesa. Essa estrutura manteve-se praticamente inalterada por muito tempo. Por curtos períodos, o território da colônia foi dividido em dois governos gerais. No primeiro, de 1572 a 1578, a divisão foi motivada pela necessidade de melhor defender o território e as sedes foram Salvador e Rio de Janeiro. No segundo, de 1608 a 1613, o motivo da divisão foram as notícias da descoberta de metais preciosos no sul (velho sonho português...), levando à criação de um governo geral específico para as capitanias do Rio de Janeiro, São Vicente e Espírito Santo. Em 1621, foi criado o Estado do Maranhão (compreendendo as capitanias do Grão-Pará, Maranhão e Ceará e com sede na cidade de São Luís) separado do Estado do Brasil. O objetivo era proteger a região das ameaças de invasão externa. Câmaras municipais Além desses cargos, controlados pela Coroa portuguesa, à medida que foram surgindo núcleos urbanos (as vilas), iam sendo criadas as Câmaras Municipais, órgãos responsáveis pela condução de questões locais, como administrar a cidade e a área rural, cobrar impostos, aplicar a lei e efetuar prisões, proteger crianças órfãs e abandonadas e executar obras públicas. As Câmaras Municipais eram formadas por funcionários e proprietários locais, cristãos, é claro! Eram chamados “homens bons” e detinham enorme poder econômico e político local. Pense um pouco e procure relembrar aquilo que estudou sobre a colonização espanhola e procure estabelecer uma relação entre as Câmaras Municipais da América portuguesa e os cabildos da América espanhola. A que conclusões chegou? O caráter missionário da colonização A colonização do Brasil não foi motivada apenas por interesses econômicos e políticos. Esse processo se deu num contexto em que a religião e a fé católica exerciam grande influência nas decisões e nas ações dos europeus que se lançavam ao mar. Você já deve ter notado a semelhança da atuação da Igreja Católica nas Américas portuguesa e espanhola. Nas duas áreas, a Igreja foi uma instituição fundamental no processo de conquista e na colonização nas tarefas relacionadas ao ensino, à evangelização e à ação disciplinadora e moralizadora dos costumes. A tarefa evangelizadora dos jesuítas e a maneira como organizaram sua atuação junto à população indígena levaram muitas vezes a choques de interesses entre estes e os colonos, que viam nesta população a mão de obra a ser escravizada e utilizada nas atividades econômicas que se desenvolviam na colônia. Embora os jesuítas não fossem contrários à escravização indígena, acreditavam que ela essa escravização não deveria ser indiscriminada, mas sim obedecendo a objetivos religiosos, como a cristianização. Apesar da oposição dos jesuítas, o trabalho escravo indígena foi amplamente utilizado, e à medida que crescia a economia colonial, aumentava a demanda por braços para o trabalho. :: Síntese :: Administração colonial e a presença religiosa O projeto colonial português na América, iniciado a partir de 1530, implicou no estabelecimento de uma estrutura político- administrativa no Brasil que englobou a: s DIVISÎO DO TERRITØRIO EM CAPITANIAS HEREDITÉRIAS EM  DOADAS A PARTICULARES QUE DEVERIAM SE ENCARREGAR DA OCUPA ÎO E desenvolvimento das terras; s DElNI ÎO DO SISTEMA DE ACESSO Ì TERRA A #OROA DOAVA AS CAPITANIAS AO SEU RESPONSÉVEL n OS CAPITÎES DONATÉRIOS QUE distribuíam lotes (sesmarias) aos colonos; s CRIA ÎO DO GOVERNO GERAL EM  COM O OBJETIVO DE IMPULSIONAR A COLONIZA ÎO AJUDAR OS DONATÉRIOS E COLONOS E COMBATER as rebeliões indígenas e ataques estrangeiros; s CRIA ÎO DAS #ÊMARAS -UNICIPAIS QUE REPRESENTAVAM O PODER local e eram integradas pelos membros mais importantes das vilas COLONIAIS hHOMENS BONSv  !SSIM COMO NA !MÏRICA ESPANHOLA A )GREJA #ATØLICA E EM ESPECIAL OS JESUÓTAS DESEMPENHARAM UM PAPEL FUNDAMENTAL NA !MÏRICA PORTUGUESA NO QUE SE REFERE Ì CATEQUIZA ÎO DOS INDÓGENAS NA EDUCA ÎO E NA ORGANIZA ÎO DA VIDA SOCIAL DA COLÙNIA