Mod.1 História Cederj 1 | Page 60

60 :: H ISTÓRIA :: M ÓDULO 1 Introdução Nos capítulos anteriores, vimos os processos e mecanismos de conquista utilizados pelos europeus quando da sua chegada ao continente americano. Conhecemos também um pouco das colonizações espanhola, inglesa, francesa e holandesa. Neste capítulo, vamos falar da colonização portuguesa na América, ou seja, a colonização das terras brasileiras. Atenção! É preciso entender que o Brasil, como nós conhecemos hoje, só começou a se formar muito tempo depois, a partir da definição das fronteiras, da uniformização da língua e, com a criação de um sentimento nacional. A etapa inicial da colonização (1500-1530) pode ser caracterizada pela não ocupação sistemática do território. Nessa etapa foram enviadas várias expedições com os objetivos de reconhecimento do litoral e das suas potencialidades comerciais e de defesa das terras frente à ameaça estrangeira. A exploração do pau- brasil era a única atividade econômica aqui desenvolvida. A fundação de fortes e feitorias buscava garantir a posse da terra e viabilizar o armazenamento da madeira até que esta fosse carregada para uma embarcação. Nenhuma atividade aqui desenvolvida necessitava da fixação de colonos na terra, daí a denominação de período pré-colonizador ou colonização acidental usada para designar essa etapa. A partir de 1530, a Coroa portuguesa decidiu mudar seus planos em relação ao Brasil: ou seja, decidiu ocupar efetivamente as terras através da fixação de colonos. Quais razões levaram a Coroa a tomar tal decisão? Podemos apontar algumas delas: a necessidade de defender efetivamente o território contra as ameaças estrangeiras, a ideia de promover as buscas por metais preciosos (que haviam sido encontrados na América espanhola...) e a necessidade de diversificar os lucros, até então concentrados no comércio de especiarias das Índias. Nesse sistema, a Coroa recebia uma parte dos impostos arrecadados e detinha o monopólio do comércio das especiarias e do sal, produtos muito valiosos na época, a serem vendidos aos colonos. Mas os resultados não foram os esperados. Algumas capitanias, como as de Pernambuco e São Vicente, graças ao cultivo da cana e à produção de açúcar, obtiveram bons resultados. Outras não obtiveram o mesmo sucesso... Entre as razões a que se atribui esse resultado pouco satisfatório estão a falta de recursos financeiros para arcar com os investimentos necessários, a inexperiência ou mesmo o desinteresse de alguns donatários pelo empreendimento, o precário sistema de transportes e de comunicação e as hostilidades entre portugueses e grupos indígenas. No entanto, não se pode falar de fracasso das capitanias, afinal, elas continuaram a existir até o século XVIII, embora com as fronteiras modificadas. Diante das frequentes queixas dos colonos em relação ao “abandono” da Coroa e buscando impulsionar a colonização, a Coroa, em 1549, decidiu criar na colônia um governo geral e nomeou como primeiro governador- geral Tomé de Sousa, que chegou à capitania da Bahia – comprada pelo rei e transformada em capitania real – no ano seguinte. Desde Salvador (a sede do governo português na colônia), passou a auxiliar as demais capitanias no esforço de povoamento, no combate às resistências indígenas e na defesa do território contra as invasões estrangeiras. As atribuições do governador-geral encontravam-se expressas num documento denominado Regimento do Governo-Geral. Tal documento conferia a Tomé de Souza amplos poderes na colônia. Todos eles citados no trecho do regimento que você leu. Capitanias hereditárias – 1534 Maranhão 1 A administração portuguesa nos séculos XVI e XVII Cabo de Todos os Santos Abra de Diogo Leite Terras não distribuídas Rio Grande do Norte 1 Rio da Cruz Rio Grande do Norte 2 Piauí Ceará Baía da Traição Itamaracá Rio da Santa Cruz Pernambuco Rio de São Francisco Capitanias hereditárias, governo geral e câmaras municipais Com o objetivo de promover o povoamento, D. João III – então rei de Portugal – decidiu pela criação das capitanias hereditárias, sistema que havia dado resultados satisfatórios em outras colônias portuguesas, como nas ilhas do Atlântico. Mas o que eram e por que foram adotadas as capitanias hereditárias? Era um sistema em que a Coroa, como proprietária das terras, doava lotes a particulares – os capitães donatários – para que neles produzissem e promovessem seu povoamento. Havia duas exigências básicas para ser donatário: ser cristão e ter recursos para investir na colonização. Esse sistema tinha como objetivo promover a ocupação do território, fazer com que este se integrasse economicamente à metrópole, sem que a Coroa tivesse despesas. Assim, em 1534, o território foi dividido em 14 capitanias hereditárias, sendo que essas faixas de terra eram desiguais. Dentre os direitos e deveres dos donatários estava o de promover o recolhimento dos impostos, ministrar a justiça, distribuir lotes de terras dentro de sua capitania. Esses lotes eram chamados sesmarias e, quem os recebia, sesmeiros. Assim, cada faixa dessas que você vê no mapa – as capitanias – era ainda subdividida em lotes – as sesmarias O sistema de capitanias hereditárias caracterizou-se pela descentralização administrativa, isto é, as capitanias eram autônomas e independentes entre si. Angra dos Negros Maranhão 2 Bahia Sul da baía de Todos os Santos Ilhéus Rio Pardo Porto Seguro Rio Mucuri Espírito Santo Santo Amaro São Vicente 2 Baixos dos Pargos São Vicente 1 Rio Curupacê Barra da Bertioga Paranaguá São Tomé Rio Macaé Santana 28° 1/3 Fonte: http://oglobo.globo.com/sociedade/educacao/estudioso-reconstroi-capitanias-hereditarias- afirma-que-livros-escolares-estao-errados-13170302