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CAPÍTULO 4:: 39
A Expansão Portuguesa sobre a África e a Ásia
De África tem marítimos assentos; É na Ásia mais que todas soberana; Na quarta parte nova os campos ara; E se mais mundo houvera, lá chegara!
Luís Vaz de Camões. Os Lusíadas. Canto VII, Estância XIV. 1572
Vamos ler com atenção os dois primeiros versos do trecho do poema acima. E agora uma pausa para reflexão: quem tinha na África“ marítimos assentos” e na Ásia se fazia“ soberano”? A que acontecimentos históricos, ocorridos em que tempo, se refere o grande poeta da língua portuguesa, Luís de Camões?
África
Como vimos no capítulo 2, no início do século XV, Portugal se lançou à conquista do norte da África, tomando a cidade de Ceuta( no Marrocos atual) e, seguindo pelo Atlântico, conquistou as então chamadas“ ilhas do Mar Oceano”. Primeiro, os arquipélagos dos Açores e da Madeira, áreas que ainda hoje fazem parte do território português, e onde desenvolveram as primeiras experiências de colonizadoras com base em grandes plantações de cana-de-açúcar. A seguir, Portugal obteve domínio sobre os arquipélagos de Cabo Verde e São Tomé e Príncipe.
Início da expansão marítimo-comercial portuguesa
Açores
Madeira
Cabo Verde
Lisboa
Senegal
EUROPA
Ceuta Cabo Bojador
São Tomé e Príncipe
Oceano Atlântico Cabo
ÁFRICA Guiné
Congo
Calecute
ÁSIA
Índia
Oceano Índico
Ceuta- 1415 Açores Madeira
Fonte: TEIXEIRA, Francisco M. P. e DANTAS, José. Estudos de História do Brasil. vol 1. São Paulo: Moderna, 1980.( adaptado)
A conquista das ilhas representou muito para Portugal, sendo pontos estratégicos para a navegação no Atlântico. Ali navios de todas as nacionalidades faziam suas paradas para abastecimento e navegantes e marujos trocavam informações e histórias. Nelas os portugueses adotaram o sistema de divisão do território em capitanias hereditárias que, mais tarde, seria utilizado em sua colônia na América. Inicialmente, as ilhas, que eram desabitadas, foram sendo povoadas por pessoas vindas com os portugueses, mas de diferentes partes da Europa.
Em alguns casos, como em Cabo Verde, africanos foram arrancados de seus lugares de origem, escravizados e levados para as ilhas, onde também chegavam degredados e portugueses muito pobres, originando-se no local uma sociedade mestiça. Em outras ilhas como na do Príncipe, aos degredados juntaram-se muitas crianças trazidas por ordem dos governantes portugueses, para povoar o local. Eram filhas de pais perseguidos ou condenados pela justiça( em sua maioria judeus). São Tomé e Príncipe tornaram-se, com o tempo, entrepostos importantes no comércio de escravos africanos.
A partir das ilhas, Portugal iniciou a conquista do litoral atlântico do continente africano. Estabeleceu contatos em regiões do continente importantes para atingir os seus objetivos: a conquista de novas terras e o acesso a suas riquezas( metais preciosos, marfim e especiarias, principalmente). Uma das primeiras paradas foi na foz do rio Senegal. Dali, descendo pela costa, os portugueses chegaram até a região das atuais Guiné Bissau e Serra Leoa. Através desses contatos, foram adquirindo escravos dos povos costeiros, conforme relata um viajante:
[...] tinham obtido algumas notícias de nosso praticar com os negros do Senegal [...] eles tinham por certo que nós, cristãos, comíamos carne humana, e só comprávamos negros para comer, e que por isso não queriam nossa amizade forma nenhuma, antes nos queriam matar a todos.
( Luís de Cadamosto, Viagens)
A expansão marítimo-comercial( de 1434 a 1441)
Açores
Madeira
Cabo Verde
Lisboa
São Tomé e Príncipe
Oceano Atlântico
EUROPA
Alexandria Cabo Bojador
Senegal ÁFRICA Serra Leoa
Cabo
Congo
Constantinopla
Otomanos
Calecute
ÁSIA
Índia
Oceano Índico
Cabo Bojador- 1434 Serra Leoa- 1441 Domínios Turcos- 1453
Fonte: TEIXEIRA, Francisco M. P. e DANTAS, José. Estudos de História do Brasil. vol 1. São Paulo: Moderna, 1980.( adaptado)
A negociação entre os portugueses e os povos da costa atlântica africana não era simples. Por meio da guerra, obtinham escravos, em geral prisioneiros, e faziam pressão sobre os derrotados para obter pimentas e peles de animais. Carregavam seus barcos com essas mercadorias para vendê-las a bom preço no reino. Longas batalhas eram travadas e nem sempre os africanos eram os derrotados. Essa política guerreira portuguesa mostrou-se pouco eficaz para a conquista de pontos de comércio no litoral atlântico. Afinal, os portugueses precisavam de algum apoio local se queriam manter uma presença no litoral africano e fazer comércio. Então, passaram a substituir a guerra por uma política de alianças com os chefes nativos. Dessa política fazia parte a obtenção de licença para construir fortalezas no litoral e a garantia de obtenção de escravos. Assim, foi construída, em tempo recorde