Mod.1 História Cederj 1 | Page 38

38 :: H ISTÓRIA :: M ÓDULO 1 Introdução Os circuitos comerciais de longa distância unindo comerciantes europeus, asiáticos e africanos já eram frequentes no período medieval, principalmente através das rotas terrestres, como vimos nos capítulos 2 e 3. Nos séculos XV e XVI, eles tornaram-se ainda mais intensos, e o continente americano passou também a fazer parte desta economia mundial. Esse novo cenário relacionou-se diretamente com o processo de expansão marítima europeia, no decorrer do qual portugueses, espanhóis, franceses, holandeses e ingleses realizaram inúmeras viagens pelos oceanos; viagens que estabeleceram novas rotas para o comércio internacional e levaram os europeus ao continente que, mais tarde, eles próprios nomearam de América. Portugal e Espanha foram os países pioneiros na expansão. Neste capítulo, vamos estudar esse processo, buscando entender por que e como ele aconteceu. Discutiremos, também, o crescimento da presença europeia na África e Ásia e as relações entre os europeus e os povos nativos da América. Para isso, é muito importante ter em mente as características da sociedade europeia que se construiu após a crise do século XIV e que estudamos no capítulo anterior. Vamos lá. Ocupação muçulmana na Península Ibérica Península Ibérica – séc. XI – início da Guerra de Reconquista Oceano Atlântico 1 - Condado da Galiza 2 - Condado de Portucale Leão Castela 2 Navarra Aragão Oceano Atlântico Califado de Córdova 1 Leão Castela Navarra Califado de Córdova Portugal – séc. XIII Oceano Atlântico Porto Leão Navarra a Portugal Castela Aragão lunh a Cat Emirato dos Almorávidas Oceano Atlântico Porto Navarra Portugal Leão e Aragão Castela Lisboa Almorávidas Mar Mediterrâneo Mar Mediterrâneo Portugal – séc. XIV-XV Oceano Atlântico Porto Portugal Navarra Castela Lisboa A Península Ibérica, formada pelos territórios que hoje correspondem a Portugal e Espanha, foi dominada e governada do século VIII ao século XII pelos árabes e norte-africanos muçulmanos (conhecidos como mouros). No passado, quando o islamismo se difundiu no norte da África, a palavra “mouro” passou a ser usada como sinônimo de muçulmano ou islâmico. A presença das culturas árabe e africana nesses países é notada até hoje – no vocabulário, na cultura, nas construções que deixaram. Não podemos esquecer que nesse período eram fundamentalmente os mouros que faziam a conexão entre a Europa e o Oriente, passando pelo norte da África, através do comércio de longa distância. Foram eles que trouxeram muitos dos conhecimentos e tecnologias que possibilitaram desenvolver a agricultura e a atividade marítima na Península Ibérica. A agricultura da Península Ibérica se beneficiou muito com a presença dos muçulmanos. Com as novas técnicas de regadio puderam cultivar legumes e plantar árvores frutífera. Além de difundirem processos de rega até aí desconhecidos, também generalizaram o uso de moinhos de vento. Cultivaram novas plantas, que ainda hoje vemos nos nossos campos: laranjeira, limoeiro, amendoeira, figueira, meloeiro e provavelmente o arroz. Também desenvolveram o cultivo da oliveira, de onde se extrai o azeite. Ficaram célebres os grandes pomares que plantaram na Península Ibérica. (adaptado de www.libano.com) Mar Mediterrâneo Mar Mediterrâneo Portugal – séc. XII Aragão A presença moura na Península Ibérica e as “Guerras de Reconquista” Aragão Granada Mar Mediterrâne o Fonte: TEIXEIRA, Francisco M.P. e DANTAS, José. Estudos de História do Brasil. vol 1. São Paulo: Moderna, 1980 A presença moura, entretanto, era vista como uma presença invasora pelos povos cristãos da Península. No século XI inicia-se uma resistência ao norte e surgiram reinos cristãos que empreenderam uma guerra contra os mouros, conhecida como reconquista. Essa guerra não foi resolvida rapidamente: Portugal surgiu como reino independente no século XII. A Espanha ainda levaria quatro séculos na guerra – Granada, a última cidadela moura, no sul, foi retomada pelos cristãos em 1492. Portugal, pioneiro na centralização política, viveu em fins do século XIV um movimento político interno, conhecido como Revolução de Avis, que trouxe para o reino um estímulo maior ao comércio e à navegação. A partir dessa mudança, os portugueses levaram adiante a bandeira da reconquista – mas já com ares de conquista – e se lançaram sobre outras terras. Os espanhóis iriam segui-los nesse movimento expansionista, em fins do século XV. Os soberanos portugueses empenhados em fortalecer cada vez mais a unidade do país e obter apoio dos setores economicamente poderosos iniciaram sua expansão marítima e comercial. Contando com a experiência, a ambição e a coragem de seus navegantes – mestres, pilotos e marujos de muitas origens -, com o estímulo de seus grandes comerciantes e nobres donos de terras, e com o apoio da Igreja Católica, Portugal começou a colocar-se em terras distantes, no chamado além-mar.