40 :: H ISTÓRIA :: M ÓDULO 1
(1481-1482), a fortaleza de São Jorge da Mina (no litoral de Gana, atualmente),
de onde os portugueses tiveram acesso ao ouro africano trazido do interior do
continente e obtiveram muitos escravos. Fizeram também contatos e alianças com
o reino de Benin (sudoeste da Nigéria e parte do Benin atual) e com diferentes
povos do chamado Golfo da Guiné. O tráfico de escravos realizado no século XV
movimentou, somente no Golfo da Guiné, cerca de 150 mil escravos.
comerciantes e representantes de reinos da África Oriental com os quais
fizeram importantes acordos.
A expansão marítimo-comercial luso-espanhola (de 1482 a 1492)
Açores Lisboa
AMÉRICA DO NORTE
EUROPA
ÁSIA
Palos
Madeira
Guanahani
Ilustração de São Jorge da Mina
Senegal ÁFRICA
Calcutá
Cabo Verde
Oceano Pacífico
Índia
São Tomé Congo
e Príncipe
AMÉRICA DO SUL
Congo - 1482
Oceano Atlântico
Cabo da Boa Esperança - 1488
Guanahani - 1492
Oceano Índico
Cabo
Fonte: TEIXEIRA, Francisco M.P. e DANTAS, José. Estudos de História do Brasil. vol 1.
São Paulo: Moderna, 1980.
Vista geral do forte de São Jorge da Mina em 1873. in BOAHEN, A.; WEBSTER, J.B. (with
H.O.Idowu). The growth of African Civilization. The Revolutionary Years: West Africa since 1800.
Londres: Longman, 1967. p. 133.
No reino do Congo (norte de Angola e parte da República Democrática do
Congo, atualmente) foram feitos acordos e estabeleceu-se um relacionamento entre
os governos locais e Portugal que durou muito tempo. Embaixadas do rei do Congo
foram enviadas a Portugal e, mais tarde, ao Brasil; filhos dos reis do Congo foram
estudar em Portugal, e missionários católicos realizaram ações de evangelização com
apoio dos soberanos locais, desde o século XV. O reino do Congo tornou-se um grande
fornecedor de escravos para os portugueses e aumentou seu poder sobre os reinos e
povos vizinhos na África.
Ilustração de São Salvador, capital do reino do Congo,
depois da chegada dos portugueses
Os portugueses tiveram grandes surpresas quando chegaram ao outro lado
da África, no Oceano Índico. Encontraram um mar que era cenário de um intenso
comércio, realizado por embarcações de diferentes origens, comerciantes
falando diferentes línguas e utilizando diversas moedas. Na parte oriental da
África se surpreenderam com a variedade de mercadorias de luxo envolvidas
nesse comércio, como âmbar de cor cinza, cerâmicas finas, ouro, pérolas, peles
de animais, tecidos, sândalo, pimenta, gengibre, prata, rubis, pérolas, o ouro –
trazido do reino de Monomotapa até Sofala (costa norte de Moçambique atual)
- e sedas. Todas essas mercadorias e o tráfico de escravos envolviam a África,
o mundo árabe e o Oriente, em especial a Índia e a China. O desenvolvimento
comercial e o ir e vir de barcos, de pessoas e mercadorias, observado nos portos
do Oceano Índico, encheu os olhos dos portugueses. Eram muitas riquezas.
Mercadorias valiosas para o mercado europeu. Além disso, os habitantes das
cidades costeiras já estavam habituados ao grande comércio marítimo – era
questão de estabelecer os acordos e fazer as trocas.
Desfecho da expansão marítimo-comercial portuguesa
Açores Lisboa
Senegal
Cabo Verde
Oceano Pacífico
EUROPA
ÁSIA
Madeira
AMÉRICA DO NORTE
AMÉRICA DO SUL
ÁFRICA
Melinde
São Tomé Congo
e Príncipe
Porto Seguro
Vasco da Gama - 1498
Pedro Álvares Cabral - 1500
Índia
Calcutá
Calecute
Oceano Atlântico
Oceano Índico
Cabo
Vista geral da capital do reino do Congo (São Salvador) depois da chegada dos portugueses,
pois são evidentes as cruzes no alto das igrejas, in SOUZA, Marina de Mello e. Reis Negros no Brasil
Escravista. História da Festa de Coroação do Rei Congo. Belo Horizonte: EdUFMG, 2002. p. 46. Fonte: TEIXEIRA, Francisco M.P. e DANTAS, José. Estudos de História do Brasil. vol 1.
São Paulo: Moderna, 1980.
A exportação de escravos capturados pelo reino do Congo era feita através
de portos na costa de Angola atual, entre eles o de Luanda, que se tornou aos
poucos a principal porta de saída de africanos escravizados rumo ao Brasil.
Dando continuidade à expansão, os portugueses contornaram o sul
da África, dobraram o cabo da Boa Esperança em 1488, alcançaram o
Oceano Índico e, como vimos no capítulo 2, entraram em contato com A expansão portuguesa sobre a África se constituiu em uma série de
investidas nem sempre bem sucedidas sobre pontos do litoral. Também não
ocasionou o domínio português sobre o continente. Tanto os portugueses quanto
os outros europeus que se lançaram sobre a África no período não passaram da
costa. A exceção foi o reino do Congo, onde as alianças se firmaram de tal
forma que permitiram o acesso a locais do interior. A expansão caracterizou-se