CAPÍTULO 10:: 117
A maioria dos grupos mais influentes no norte dos EUA defendia uma política de intervenção na economia através do aumento dos impostos de entrada para mercadorias estrangeiras. Ou seja: desejavam uma política econômica protecionista, para favorecer o mercado interno.
O Partido Republicano, fundado em 1854, procurava criar obstáculos à expansão do escravismo no oeste, não tanto por serem abolicionistas, mas porque desejavam que se desse uma ocupação com base na pequena e média propriedade trabalhada por mão de obra livre branca. Eles acreditavam também que era dever do Congresso proibir a escravidão por todo o país.
Porém, isso não quer dizer que defendessem a igualdade de direitos entre brancos e negros. O que desejavam era a preservação do modo de vida do pequeno e médio proprietário livre, do artesão e do assalariado. Também queriam uma economia que fortalecesse o mercado interno. E tudo isso encontrava um obstáculo nos interesses dos ricos proprietários escravistas do Sul dos EUA.
A expansão para o oeste agravou os conflitos, antes regulados pelo compromisso de Missouri, que, em 1820, estabelecera um limite entre os estados escravistas do Sul e os não escravistas do Norte. Porém, após 1854, ficou estabelecido que cada estado decidiria se permitiria ou não a escravidão em seus territórios. Os nortistas passaram a estimular ainda mais a fuga de escravos, mesmo com a lei que lhes obrigava a devolver os fugitivos que encontrassem.
A eleição de 1860 colocou o republicano Abraão Lincoln no poder. Ele, desde a sua campanha, pronunciara-se contra a continuidade da escravidão. E, mesmo antes da sua posse, os estados do sul haviam se rebelado, declarando-se separados dos Estados Unidos. O novo presidente não aceitou essa separação. Assim começou a guerra civil norte-americana.
Inicialmente, o sul foi vitorioso, mas a partir de 1863 a ofensiva do Norte foi mais eficaz. Uma das estratégias desta fase da guerra foi o estímulo ao alistamento de escravos em troca da defesa de sua liberdade. Os batalhões de negros tiveram um papel fundamental na guerra, vencida pelas forças do Norte em 1865. A escravidão foi logo em seguida abolida em todo o país. Mas os negros livres não se tornaram cidadãos nos EUA.
A derrota gerou um sentimento de inferioridade para os sulistas, além dos prejuízos com a guerra. E da mesma forma lhes desagradou o fim da escravidão e a possibilidade de os negros se tornarem cidadãos como ocorria em alguns estados do Norte. Nessa conjuntura, surgiu a Ku-Klux-Klan, uma organização racista que promovia atos de extrema violência contra negros que reivindicassem seus direitos e contra quem ousasse defendê-los.
No Sul, instalou-se um regime segregacionista, proibindo pessoas negras de frequentar os mesmos lugares que brancas, de sentar lado a lado nos transportes, de utilizar os mesmos toaletes, entre outras muitas restrições. O direito de voto para os negros passou a ser decisão de cada estado e essa medida obteve apoio mesmo dos estados do Norte.
A população negra ficou abandonada frente à discriminação legalizada, ao preconceito e à violência, por muito tempo. Somente na década de 1950 essas leis segregacionistas começaram a ser revistas, assim como o direito de voto a todos os negros dos Estados Unidos. Ao longo de quase um século de segregação, os negros dos EUA enfrentaram muitas batalhas para conquistar seu lugar de cidadãos.
O fim da guerra trouxe ganhos para setores poderosos nos EUA. A recuperação das empresas estadunidenses ocorreu paralelamente a um movimento de concentração de capitais e ao surgimento de grandes empresas que resultaram da união de várias. Formaram-se os trustes e cartéis, grandes grupos integrados por várias empresas que praticamente monopolizavam uma área da produção ou uma atividade econômica.
Os Estados Unidos ampliaram o mercado interno, as indústrias cresceram, assim como a urbanização e a imigração. Dessa forma, foram criadas condições para um crescimento ainda maior do capitalismo no pós-guerra civil. Isso possibilitou nova expansão, não mais para o Oeste, mas sobre a América Latina e Caribe, que a partir daí foram se tornando cada vez mais dependentes da toda poderosa economia dos EUA.
:: Síntese::
� �� �������� ������ �� ������ ���� ��������� �� ������������ entre o Norte e do Sul dos EUA: o primeiro buscando ampliar o mercado interno sob o modelo capitalista de relações assalariadas; o segundo, procurando manter forte o modelo agrário-exportador de base escravista;
� � �������� ���� � ����� ���� ���� ���� � ����� �� ������� Manifesto, que justificava o domínio sobre as terras indígenas e mexicanas e a sua incorporação aos Estados Unidos;
� ���� �������� ������� � ������� ��� ���������� ����� os interesses do Norte e do Sul, trazendo a discussão sobre a extensão ou não das áreas escravistas em direção ao oeste e os direitos sobre a propriedade da terra; � �� ������������ ������� � ������ ����� ��������� ������ ������ ���� ����� ��� � ��������������� �������� � ��������� �� Sul e o fortalecimento do mercado interno e da urbanização;
� � ���������� ��� �������� ��� �������� ���� � ������� segregacionistas que impediam a integração da população negra à sociedade, principalmente no sul, onde também surgiu a organização racista Ku-Klux-Klan;
� �� ���� �� ������� ������� ���������� � ������ ���������� se uniram, formando poderosas corporações e o capitalismo ������������� �� �������� ����� � ������� ������ � �������
América Espanhola e Caribe
Vamos rever como ficou o mapa da América espanhola independente no século XIX. Para isso, volte ao capítulo 9 e observe o mapa da página 86.
A criação destes novos países enfrentou muitos problemas: o peso da herança do período colonial, as pressões externas e as graves contradições internas eram questões a serem enfrentadas nesse processo.
A herança colonial A América espanhola e o Caribe herdaram da sua história de colonização dificuldades em criar uma unidade territorial sob a forma de países com grande