114:: HISTÓRIA:: MÓDULO 1
A partir de 1870, as ideias republicanas foram divulgadas com mais frequência, através de jornais, clubes e da criação de partidos políticos. Ainda assim, não era muito popular e os grupos republicanos em geral eram formados por políticos liberais, alguns proprietários de terra e de setores médios urbanos. Mas, além dos republicanos, havia gente influente muito descontente com os rumos do Império: bispos da Igreja Católica, fazendeiros, militares. Por que haveria essa oposição? Alguns bispos se desagradavam do fato de, pelas leis brasileiras, a Igreja Católica ter que se submeter à autoridade do imperador – havia o regime de padroado, e as ordens das altas autoridades católicas tinham que ter a aprovação de Dom Pedro II.
Os fazendeiros, sobretudo os do vale do Paraíba, estavam descontentes com a abolição da escravidão sem receberem indenização do governo. Os militares não se sentiam suficientemente recompensados depois da Guerra do Paraguai e reivindicavam maior participação política. No caso dos militares, ainda havia um dado a mais: a influência do positivismo, que era um conjunto de ideias que contribuía para valorizar a figura do militar como sendo um símbolo da defesa da ordem, da ética e da nação. Muitos jovens oficiais concordavam com a ideia de que os políticos da época não tinham um compromisso com o Brasil como eles – os militares – tinham.
O desgaste do regime monárquico era grande. Dom Pedro II ainda tentou fazer reformas para evitar os conflitos, mas as forças republicanas foram mais rápidas. Na manhã de 15 de novembro de 1889, um grupo de militares, com apoio e estímulo de alguns civis, proclamou a República no Campo de Santana – centro do Rio de Janeiro. Daí por diante este lugar teria o nome oficial de praça da República.
:: Síntese::
�� ������ ������� � �� ��������� ���� ����� ������������ ainda mantendo a monarquia, a escravidão e as estruturas sociais do tempo da colônia;
� ��� ��������� ����� ���� ���� � �������������� ��������� inúmeros conflitos e guerras civis que evidenciaram uma profunda disputa acerca de qual seria a ordem politico-social no Brasil, com a vitória das forças ligadas à escravidão e à grande propriedade;
�� �� �� ������ ������ � � ��� �� ������ ������ ����� ����� à vinda de trabalhadores imigrantes e limitaram o acesso à terra tanto para os recém-chegados como para os lavradores pobres, fossem eles livres ou libertos;
�� ����� ��������� ��������� ����������� ���������� ������� na exportaç! ao de café e, também, na diversificação das atividades produtivas. O café trouxe prosperidade econômica e prestígio para os proprietários do sudeste;
�� �������� �� �������� �� ���������� �������� �� ��� ������� mobilização social feita da qual participaram políticos, advogados, jornalistas, libertos e escravos; �� �������� �� ������� �� ��� ����� �� ����� ������ ��������� ��������� � � ������ �� �� ����� ������������� ������ �� ����� central fortaleceu o movimento republicano.
Estados Unidos da América
Como vimos no capítulo 9, as Treze Colônias inglesas da América do Norte tornaram-se independentes – por declaração unilateral, em 1776, e reconhecida pela antiga metrópole( Inglaterra) em 1783 – e surgiram os Estados Unidos da América( EUA).
Uma vez independentes, tiveram que estabelecer os rumos da política estadunidense. Conforme o próprio nome do novo país anunciava, este era resultado da união dos estados-membros. Portanto, cada um desses estados teria sua parte no poder de governo. E o fato de que, antes da luta pela independência, muitas regiões do território pouco se comunicavam fazia com que fossem pouco identificadas entre si e quisessem preservar sua soberania.
Os representantes dos estados eram, quase todos, membros das elites coloniais. Para eles era importante uma lei que lhes garantisse os privilégios e estabelecesse normas para todo o território do país, respeitando-se as diferenças locais. Surgiu então a Constituição dos Estados Unidos da América, com um texto curto, o que mostrava como era difícil para os estados entrar em acordo sobre algo mais além do que um mínimo de princípios e aspectos. A Constituição dos EUA foi aprovada por nove dos treze estados, em 1788.
A autonomia dos estados foi garantida, mas também foi reservado um espaço para o poder central. O presidente tinha poder de escolher seus ministros e de se colocar contra uma decisão do Congresso, impedindo que fosse colocada em prática – era o poder de veto. E o Congresso, por sua vez, poderia destituir o presidente em caso de traição e corrupção – era o impeachment( impedimento). Os presidentes seriam eleitos pelo voto indireto por um grupo especial de eleitores escolhidos nos estados. Os senadores também seriam indicados pelos representantes eleitos nos estados e não diretamente. Ou seja: buscou-se um equilíbrio entre os poderes, mas a participação política era restrita.
Em 1791, foi incluída na Constituição uma Declaração de Direitos, garantindo a liberdade de palavra, de reunião e de religião, o direito ao porte de armas, a ilegalidade de uma religião oficial e a proteção dos cidadãos contra excessos da justiça e da polícia. Essa Declaração tinha dez emendas e foi uma vitória do grupo conhecido como o dos“ republicanos” na política dos EUA.
Pode parecer até contraditório que os escravistas defendessem os direitos e garantias individuais, não é mesmo? Mas devemos lembrar que essa defesa terminava quando começava o debate sobre a escravidão. Para eles, os escravos eram propriedades e não indivíduos.
O outro grupo importante da política dos EUA era liderado fundamentalmente por grandes comerciantes, dos quais os mais importantes eram os da cidade de Nova Iorque. Estes desejavam um poder central mais forte, que controlasse a economia e unificasse o mercado interno, e defendiam uma política econômica protecionista, isto é, que fortalecesse a produção interna, reduzindo as importações. Para isso, o governo central deveria ter o poder de intervir na economia.
A defesa das liberdades por parte dos republicanos, favoráveis a um Estado não interventor, era para defender seu direito a manter a escravidão. Por outro lado, a defesa de um Estado forte era feita por grupos que se opunham aos republicanos. Ambos não colocavam como grande problema os direitos dos escravos nem a participação popular. Mas a expansão para o oeste, a questão da terra e a luta dos próprios escravos e