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112:: HISTÓRIA:: MÓDULO 1
O fim do tráfico atlântico de escravos
Em 1845, surgiu uma nova lei que abalou os interesses de traficantes de escravos e encheu de preocupação os escravistas brasileiros. Essa lei, aprovada na Inglaterra, permitia que os navios da marinha britânica fiscalizassem e combatessem o tráfico de escravos, mesmo em embarcações e águas territoriais de outros países.
O Brasil era o país mais dependente do tráfico de escravos africanos para a sua lavoura. Da soma de todos os africanos trazidos como escravos para as Américas, mais de 40 % vieram forçadamente para o nosso país. Imaginem o que significava essa nova determinação dos ingleses.
E, de fato, os diplomatas brasileiros protestaram, alegando ser um abuso dos ingleses prender e confiscar navios brasileiros. Mas não havia muito a fazer: tratava-se da poderosa marinha inglesa e, na verdade, o Brasil já tinha aprovado uma lei contra o tráfico de escravos, em 1831.
E mais: já havia, internamente, uma campanha pelo fim do tráfico. Mas, por que haveria essa campanha, se os escravos eram tão importantes para a lavoura de café?
Desde há algum tempo havia grupos lutando pelo fim da escravidão e, portanto, pelo fim do tráfico. Escravos, libertos e livres nessa época demonstravam essa posição, especialmente neste período: a segunda metade dos anos 1840. Atos de rebeldia isolados, no campo e nas cidades, marcavam um momento de insurgência escrava. Nas cidades, a população negra circulando nas ruas quase nunca era vista com tranquilidade pela chamada“ boa sociedade”.
Mas, não eram somente os negros – escravos e libertos – que contribuíam para a campanha antitráfico. Havia outros grupos, inclusive muito influentes politicamente. E o que desejavam com o fim do tráfico?
Desejavam, em primeiro lugar, livrar-se do medo. A chegada de cada vez mais africanos ao Brasil criava um grande medo de que surgisse uma rebelião incontrolável da massa de cativos que, além de tudo, era estrangeira. Eram escravos e estrangeiros – duplamente temidos. Os quilombos que cresciam na zona rural e o clima de tensão nas cidades contribuíam para esse medo. Era, como se dizia na época, a“ onda negra”
Junto a isso, cada vez mais, crescia o desejo, por parte das elites brasileiras, de“ branquear” a nossa sociedade. Logo, tratava-se de estimular o fim do tráfico e a vinda de imigrantes europeus. Era o que pregavam, em discursos e escritos jornalísticos baseados em ideias racistas que afirmavam a superioridade dos europeus.
Uma forte ação dos ingleses, de fora, e uma campanha que, de dentro, ganhava cada vez mais adeptos, levou a que o governo do Brasil Império assinasse a lei de 1850, também conhecida como lei Eusébio de Queiroz. Essa lei veio a extinguir o tráfico de escravos africanos para o Brasil. Agora sim, e de fato. O contrabando após 1850 ocorreu, mas foi inexpressivo se comparado aos anos anteriores, conforme mostra a tabela.
Brasil: importação de africanos escravizados Anos
Escravos 1845 19.463 1846 50.324 1847 56.172 1848 60.000 1849 54.000 1850 23.000 1851 3.287 1852 700 Fonte: DOWBOR, Ladislau. A formação do capitalismo dependente no Brasil. Lisboa: Prelo, 1977, p. 107.
O auge e o declínio da monarquia no Brasil( 1850 – 1889)
D. Pedro II começou a década de 1850 tendo em suas mãos um governo com certa estabilidade política, mantendo sob controle os políticos liberais e conservadores. Era o Poder Moderador funcionando como a“ chave” da organização política do Império. A repressão à oposição mais radical fechava este quadro de domínio.
Era uma fase de mudanças no Brasil. Muitos migravam para tentar encontrar melhores oportunidades nas cidades, sobretudo da região Sudeste. Vejamos por quê.
Economia em alta
Na economia, a prosperidade proporcionada pelos lucros com a lavoura de café deu chances ao governo de investir na modernização de alguns setores, sobretudo nas cidades e no transporte ferroviário – que serviria para o escoamento da produção e melhor contato entre diferentes partes do Brasil. E a vida nessas cidades que cresciam fazia surgir novas necessidades de serviços e muito mais comércio. Além disso, instalaram-se as primeiras indústrias no país, voltadas para produção de mercadorias de consumo cotidiano como alimentos, bebidas, velas...
O tráfico interno – ou interprovincial – fazia com que proprietários do Nordeste e de outras áreas vendessem cativos para os fazendeiros de café do Sudeste, que se encontravam em melhor situação econômica. Mas, lembremos: não era simples o mecanismo do tráfico interprovincial, pois não poucas vezes os escravos se rebelavam por serem transferidos para longe das suas famílias, quando se tratavam de cativos que já haviam formado laços de parentesco. Além disso, com o passar dos anos o preço dos cativos atingiru altas cifras. Diante desse cenário, o governo começou a desenvolver externamente uma campanha para trazer imigrantes, sobretudo europeus, atendendo às necessidades e projetos dos produtores agrários.
Durante a Guerra de Secessão nos Estados Unidos( 1860 – 1865), o Brasil teve a oportunidade de se tornar um grande exportador de algodão. Essa, uma vantagem temporária no mercado internacional deveu-se à instabilidade no maior exportador: os EUA. O algodão, principalmente, de“ lavoura de pobre”, como era conhecido, se tornou o“ ouro branco do Brasil”. Esse surto de prosperidade trouxe lucros para fazendeiros do Maranhão, principalmente.
Também a borracha, na segunda metade do século XIX, passou a ocupar um lugar de destaque nas exportações brasieliras, alcançando alto preço no mercado internacional, gerandfo muitos lucros para os donos de seringais na Amazônia. A atiividade extrativista do foi favorecida pelo desenvolvimento das indústrias da Europa e dos EUA.
A economia se diversificava, as cidades se desenvolviam e até mesmo um pequeno investimento na indústria se fez nessa época. O Brasil parecia ser um país em pleno desenvolvimento e um dos mais prósperos dentro da América Latina.
Guerra do Paraguai
Em termos de política externa, o Brasil se envolveu, desde 1851, nas chamadas“ questões platinas”, que eram divergências com as repúblicas platinas( Argentina, Paraguai e Uruguai) sobre limites de fronteira e sobre direitos de