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C APÍTULO 10 :: 111 da década, era o próprio imperador que conduzia o pacto entre as forças políticas representativas dos setores dominantes. E quais eram essas forças políticas? Havia dois grandes partidos, o Partido Liberal e o Partido Conservador, cujas origens se encontravam no período regencial. Ao se formarem esses partidos, os grupos mais radicais dentro deles foram sendo eliminados. Ou seja, do lado dos liberais, foram afastados os mais exaltados, que se apresentavam como defensores de uma maior participação popular na política e muitas vezes propuseram o fim da monarquia e a proclamação da república. E, do lado dos conservadores, foram colocados fora de cena os absolutistas, os quais estavam enfraquecidos desde a morte de D. Pedro I. Esses grupos tinham como ponto em comum representarem as elites econômicas, ou seja os donos de terras e de escravos, grandes comerciantes, funcionários de alto escalão. Havia também alguns grupos das camadas médias urbanas ligadas a esses partidos. Os dois partidos divergiam quanto aos limites da concentração de poderes permitida ao imperador e o grau de autonomia dos governos das províncias (estados). Os liberais eram em geral defensores de maior autonomia das províncias. Mas, muitas vezes, mesmo o Partido Liberal cedia frente às negociações políticas encaminhadas pelo monarca, o mesmo acontecendo com o Partido Conservador. O pacto conseguido por D. Pedro II nada mais era do que o resultado de uma série de acordos estabelecidos com esses grupos influentes politicamente. O que também permitia esse acordo era a prosperidade econômica gerada pelos lucros com a lavoura cafeeira. Expansão cafeeira no Sudeste brasileiro (século XIX) Rio Grande Rio Par do Rio T ietê Ribeirão Preto Araraquara SÃO PAULO Rio Parana pane m a Início do século XIX Década de 30 Década de 50 Década de 80 PARANÁ MINAS GERAIS o S raíba d Rio Pa ul RIO DE JANEIRO Resende Vassouras Campinas Guaratinguetá Lorena Bananal Taubaté Parati Rio de Janeiro Jacareí Angra dos Reis Sorocaba Ubatuba São Paulo São Luís do Paraitinga Caraguatatuba Santos São Sebastião A expansão cafeeira Desde a década de 1830, a lavoura cafeeira se expandia pelo sudeste brasileiro. Iniciando-se na região do Vale do Paraíba, chegou ao oeste de São Paulo, levada por proprietários de terras que viam no cultivo do café uma atividade promissora.E de fato era. Nesse processo, povos indígenas e pequenos agricultores que habitavam nessa região foram duramente atingidos. Observe no mapa a expansão cafeeira no sudeste brasileiro. A expansão da vida urbana e do trabalho industrial na Europa, naquela época, criou novas necessidades de consumo. O café era uma bebida que se adaptava àqueles tempos, trazia energia e espantava o cansaço. Além disso, degustar café, uma bebida diferente, foi se tornando um hábito de gente de classe média e alta que morava nas cidades. Era como marca de um novo estilo de comportamento. Foram surgindo os “cafés”, locais de vida social onde as pessoas se encontravam para tomar café e fazer pequenas refeições. O crescimento da lavoura cafeeira foi acompanhado pelo crescimento da escravidão. Os cativos não eram levados apenas para o trabalho no campo, mas para serviços de transporte e diversos tipos de atividade nas cidades brasileiras, em especial as que cresciam com a prosperidade trazida pelo café. O tráfico de escravos cresceu muito nessa época. Mas, como, se desde 1831 era proibido o tráfico? Em primeiro lugar, lembremos: essa foi uma lei que não teve resultados para a redução do tráfico. Só dificultou, mas não impediu. Era permitido o tráfico interno e muitas artimanhas foram utilizadas para fazer entrar africanos recém-chegados às regiões produtoras de café: portos clandestinos, registros irregulares, que se somavam à ausência de fiscalização – proposital ou por impossibilidade. Os governos locais em geral faziam que não viam. E, por outro lado – do outro lado do oceano, na África – havia uma série de guerras internas, muitas delas provocadas por agentes externos, que alimentavam o tráfico. Apesar da campanha internacional movida especialmente pelos ingleses , o tráfico era um negócio que envolvia muitos interesses no Brasil e na África. Assim, conforme cresceram e prosperaram os cafeicultores, chegaram no Brasil mais de 1 milhão de africanos escravizados, transformando as paisagens das fazendas com suas culturas, hábitos e conhecimentos. Nas áreas urbanas, a escravidão de ganho – na qual o escravo prestava algum tipo de serviço nas ruas e dava a seu senhor uma determinada quantia - tornou-se comum, dando uma nova dinâmica a cidades como Rio de Janeiro e Salvador.