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Que bom te ver viva No trabalho, era discreta, e os colegas de fábrica não imaginavam seu passado ou sua situação política. Naqueles anos, as relações sociais tinham que ser conduzidas com máxima cautela. Não pôde visitar nenhum companheiro de partido, e o medo de colocar as pessoas com que convivia em perigo era uma constante. As ruas exibiam cartazes com as fotos de militantes procurados pelos órgãos de segurança. Em geral, eram aqueles que participavam de sequestros e troca de reféns pela liberação de estudantes e ativistas. O clima de insegurança pairava sobre aqueles que resistiam: ônibus e mesmo carros particulares eram vistoriados, pessoas eram paradas e revistadas a todo momento nas ruas. Em 1975, aumentaram as discussões sobre as possibilidades de uma anistia e a mobilização popular pelo fim do regime militar. Quando a Lei 6.683, mais conhecida como Lei da Anistia Política, foi promulgada em 79, João Baptista Figueiredo era o presidente — o último do período ditatorial. Os direitos políticos dos perseguidos pela repressão foram restituídos, suas condenações revertidas e os funcionários públicos excluídos puderam voltar ao serviço, e as vítimas puderam entrar com pedidos de indenização. Segundo relatório da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados do ano de 2018, cerca de 16 mil brasileiros recebem atualmente, por meio da Lei, algum tipo de reparação. Mas a Ditadura deixou marcas que a anistia nunca foi capaz de apagar. Muitos dos que foram presos e torturados não se livrarão nunca das sequelas psicológicas. Não 43