Meia-volta, volver
partidos. Diante das vozes exaltadas que exigiam saber
onde morava um e qual era o nome usado por outro,
era comum que o torturado nem mesmo soubesse a
resposta. O fl uxo de informações entre os opositores da
Ditadura era segmentado: reuniões não eram marcadas
nas residências, e, se alguém mudasse de endereço, era
melhor que não o informasse a ninguém.
“
“Eu me lembro de um dia em que
eu estava em um pau de arara e já
não aguentava mais fi car naquela
posição, os choques elétricos. Eu disse,
‘Fulano mora em tal lugar, tal rua’.
Então me tiraram. Logicamente não
era verdade o que eu havia dito. Mas
eu já tinha saído da posição, dei uma
respirada. ‘Não, não são verdadeiras
essas informações’. Por quê? Porque
você jamais poderia dar o endereço de
alguma pessoa. Eles entravam na casa
das pessoas, mesmo que não fosse uma
militante. Iam invadir, levar aquela
pessoa presa. E poderiam até torturar.”
“
Clair sempre repetia a mesma história: tinha
chegado a São Paulo no dia anterior à prisão, não era
dali, não tinha parentes que morassem na cidade. Ao
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