Meia-volta, volver Livro_Final | Page 42

Meia-volta, volver partidos. Diante das vozes exaltadas que exigiam saber onde morava um e qual era o nome usado por outro, era comum que o torturado nem mesmo soubesse a resposta. O fl uxo de informações entre os opositores da Ditadura era segmentado: reuniões não eram marcadas nas residências, e, se alguém mudasse de endereço, era melhor que não o informasse a ninguém. “ “Eu me lembro de um dia em que eu estava em um pau de arara e já não aguentava mais fi car naquela posição, os choques elétricos. Eu disse, ‘Fulano mora em tal lugar, tal rua’. Então me tiraram. Logicamente não era verdade o que eu havia dito. Mas eu já tinha saído da posição, dei uma respirada. ‘Não, não são verdadeiras essas informações’. Por quê? Porque você jamais poderia dar o endereço de alguma pessoa. Eles entravam na casa das pessoas, mesmo que não fosse uma militante. Iam invadir, levar aquela pessoa presa. E poderiam até torturar.” “ Clair sempre repetia a mesma história: tinha chegado a São Paulo no dia anterior à prisão, não era dali, não tinha parentes que morassem na cidade. Ao 40