Que bom te ver viva
A partir do ano de 1968, o Departamento de Ordem
Política e Social era comandado por Sérgio Paranhos
Fleury, o delegado Fleury. Perseguidor implacável,
ele era considerado um dos mais notáveis agentes da
manutenção do regime ditatorial. Participou da ação de
captura do guerrilheiro Carlos Marighella e foi acusado
de chefiar os esquadrões da morte, organizações
paramilitares de perseguição e extermínio de militantes
e perseguidos políticos. Também foi apontado como
um dos comandantes da Chacina da Lapa, em São
Paulo, e da Chacina da Chácara São Bento, no Recife,
operações de execução de opositores do regime e
dirigentes de partidos.
O cotidiano brutal dos prisioneiros políticos foi
conhecido de perto por Clair. Forçados a socos e pontapés
a entrar no carro, ela e Hasiel foram levados para as
dependências do DOPS. Dos militantes presos nos
últimos dias, era a que tinha um cargo mais importante,
e foi imediatamente conduzida a uma cela solitária. Os
próximos quarenta dias foram marcados pela tensão,
dor e violência às que foi submetida nas sessões de
interrogatório e tortura. Privada de alimentação, Clair
foi espancada, atada ao pau de arara, recebeu choques
elétricos e teve os órgãos genitais tocados pelos agentes.
Os interrogatórios eram divididos entre integrantes
do DOPS e do Centro de Informações da Marinha
(Cenimar). Os últimos adotavam um método que
alternava as agressões físicas com um profundo estudo
da atuação dos militantes, que muitas vezes excedia o
conhecimento que os próprios presos tinham a respeito
do paradeiro e das ações de seus companheiros de
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