Meia-volta, volver
determinado lugar e os participantes eram levados
vendados, sem saber a exata localização. O cuidado
também dizia respeito à mais íntima particularidade de
uma pessoa: o próprio nome. Perseguidos pelos órgãos
policiais, os militantes viam como imprescindível a
utilização de codinomes. A partir da obtenção do status
de foragida, Clair passou a ser conhecida inicialmente
como Olga, mas também viria a usar Tânia em outros
momentos. Todo cuidado era pouco. Dessa forma,
evitava-se que uma pessoa fosse presa e acabasse
delatando as outras.
Toda a cautela, entretanto, não foi suficiente para
proteger Olga das garras da repressão, sobretudo a partir
do dia 21 de novembro de 1971. A fim de se reunir com
outros militantes, sua ida ao Largo Paissandu, no centro
de São Paulo, viria a mudar sua vida para sempre.
III) Temperada a aço
Na chegada ao Largo, acompanhada do
companheiro de partido Hasiel da Silva Pereira,
Clair foi pega de surpresa pela traição. Um dos
companheiros, de nome Hugo, havia sido preso há
algum tempo. Também era do comitê da direção do
partido, e por isso conhecia muitos militantes e tinha
pontos de encontro combinados com eles. O encontro
havia sido proposto por Hugo, que, descobriria Clair,
havia mudado de lado. No Paissandu, aguardavam-nos
os agentes do DOPS, que não se fizeram de rogados
— os espancamentos começaram ali mesmo, em via
pública, diante dos olhares dos transeuntes.
38