Meia-volta, volver Livro_Final | Page 38

Meia-volta, volver depoimento. Mas era uma insegurança muito grande para qualquer cidadão ir a uma delegacia de política social.” Por seu trabalho junto aos movimentos estudantis, bancários e operários que se iniciavam na capital paranaense, Clair tornou-se uma pessoa visada pelo controle militar e suas “subversões” trouxeram a repressão à sua face em uma noite que havia sido reservada para a alegria. Por estar ciente dos riscos que seu comparecimento implicaria, a recém-formada não atendeu ao chamado e, a partir dessa data, adquiriu o status de foragida perante os órgãos de segurança pública nacional. A atenção voltada a Clair fez com que a militante não permanecesse por muito mais tempo em Curitiba, onde era conhecida e poderia facilmente ser presa por policiais a qualquer instante. Os perigos de permanecer na capital paranaense, aliados ao seu reconhecimento dentro do partido como ativista de grande articulação social, fizeram com que fosse transferida para a capital paulista na clandestinidade. Sua missão em São Paulo, além da preservação da própria vida, seria a atuação junto aos setores operários e camponeses, entendidos pelo Ação Popular como áreas com um déficit de engajamento social. Por meio da conscientização coletiva, a ideia do partido era organizar os trabalhadores para reivindicações da categoria no tocante às relações trabalhistas e às liberdades democráticas. Uma das dirigentes do partido, Clair também participava da coordenação de associações de moradores, com o objetivo de discutir a situação 36