Que bom te ver viva
Defesa Interna (DOI-CODI), em São Paulo, acerca de
seu envolvimento com o Partido Comunista Brasileiro
(PCB), clandestino na época. No dia seguinte,
compareceu de maneira espontânea ao local. Para
quem já havia saído de seu país de origem devido ao
antissemitismo — seus pais eram judeus na Iugoslávia
— durante a Segunda Guerra, haveria de se pensar que
o pior de uma vida de opressão ficara para trás.
Assim, Herzog, diretor de jornalismo da TV
Cultura, chegou a ser informado de que seria preso,
mas não fugiu. No mesmo dia em que se apresentou, o
Serviço Nacional de Informações recebeu a notícia, em
Brasília, de que “cerca de 15h, o jornalista Vladimir
Herzog suicidou-se no DOI-CODI”. Como averiguado
não muito depois, em um caso que se tornou
emblemático e gerou muita comoção popular, Vladimir
foi assassinado asfixiado pelos militares, não sem antes
sofrer sessões de tortura com choques elétricos e outros
instrumentos. A cena de sua morte, além do mais,
havia sido forjada pelos seus interrogadores como se o
jornalista de 38 anos tivesse se enforcado.
Seis anos antes, quando a repressão estava ainda
mais intensa do que na metade dos anos 70, Clair
recebeu, no dia de sua formatura, uma intimação do
Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) -
mais um órgão governamental com a incumbência de
“manter a ordem pública” durante a Ditadura - para
comparecer à delegacia e prestar depoimento.
“No começo de 1969 foi o ato da formatura na
Reitoria. Nessa noite, logo ao sair do evento, recebi
uma intimação do DOPS para comparecer e prestar
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