Meia-volta, volver
inteligência e controle social, como o Serviço Nacional
de Informações (SNI) e suas subdivisões, o Centro de
Informações do Exército (Ciex) e o Cenimar, Centro de
Informações da Marinha. Subordinados ao SNI, estavam
o Departamento de Ordem Política e Social (DOPS),
Departamento de Operações e Informações (DOI) e o
Centro de Operação e Defesa Interna (CODI). Os nomes
formavam o aparelho repressor do regime e se tornaram
conhecidos por concentrarem ações de perseguição
política, prisões e torturas. Ser convocado a depor no
Departamento de Ação Política e Social significava,
para muitos, a incerteza de sair de lá com vida.
Quando, em 1968, o Ato Institucional número 5
foi aprovado e promulgado pelo então presidente da
República, Artur Costa e Silva, inicia-se o que seria
considerado o momento mais duro da Ditadura Militar
Brasileira — os chamados anos de chumbo. O dirigente
do Estado passou a gozar de plenos poderes, o habeas
corpus para prisioneiros políticos foi abolido, entre
outras medidas autoritárias.
No administração de Costa e Silva, a violência
institucional entrou em uma crescente. Ele aposentou
juízes, cassou mandatos políticos, legitimou a repressão
e intensificou as censuras aos veículos de comunicação,
que não podiam publicar conteúdos que não passassem
por análise prévia do governo. Para cobrir os espaços
vazios da diagramação do jornal, alguns veículos
optavam pela publicação de receitas de bolo. Quem
comprasse o jornal da banca, no dia seguinte, saberia
que o espaço onde estava a receita pertencia a uma
notícia censurada.
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