Ditadura Militar: o período dos anos de chumbo
O período deixou um marco na vida de muitas
pessoas e famílias que foram separadas com as vidas
prematuramente interrompidas de seus integrantes. A
repressão e perseguição dos opositores se intensificou,
e ainda hoje a lista de pessoas que foram declaradas
desaparecidas soma centenas de nomes. Um dos mais
conhecidos casos é o de Stuart Angel Jones, filho
da estilista Zuzu Angel. Existem dados sobre sua
prisão e tortura, em 1971, mas seu corpo nunca foi
encontrado e, por isso, ele figura, oficialmente, como
um desaparecido.
Zuzu passou a denunciar as arbitrariedades do
regime militar e a cobrar o governo por um corpo
que pudesse sepultar. Em seus desfiles internacionais,
levava criações com elementos que representavam
o contexto brasileiro, com canhões, meninos
amordaçados e pássaros engaiolados. Zuzu morreu em
um suspeito acidente de carro em São Conrado (RJ),
em 1976. Em 1998, a Comissão Especial Sobre Mortos
e Desaparecidos Políticos, criada em 95, reconheceu
o regime militar como o responsável pelo “acidente”:
um carro pilotado por agentes do governo a jogou para
fora da pista. Hoje, o viaduto em que ocorreu a colisão
leva seu nome.
As marcas da ditadura existem, mas muitos não
sabem ou preferiram esquecer. Diferente de outros
países que passaram por regimes autoritários, a
exemplo da Alemanha ou do Chile, o Brasil optou por
seguir em frente sem seu passado e virar a página da
ditadura sem antes mesmo escrevê-la.
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