Lá, sentou cada um numa
banqueta improvisada, en-
quanto tirou das estantes
uns grandes álbuns, reves-
tidos em meio couro,
sem marcação algu-
ma nas capas.
Ao abrir o pri-
meiro álbum, Arthur
Zuccari espantou-se
tremendamente. Jorge
Fontana havia poupado
palavras ao dar pistas
sobre como pretendia
resolver o problema do
pintor.
A qualidade
dos pincéis estava em
jogo, mas Arthur jamais
imaginou que o músico
tencionava transformar
o paradigma compositi-
vo de um instrumento
que há milênios se man-
tinha inalterado.
Os
arcos
para violinos, vio-
las, violoncelos e contrabaixos são
tradicionalmente feitos dos fios es-
pessos das crinas de cavalos. Com
preferência dada aos Garanhões da Sibé-
ria, pois quanto mais frio o clima, melhor
e mais robusto o fio. A lógica para os
pincéis, em princípio, é a mesma, mas ao
invés da grossura do fio favorecer a re-
verberação do som, ela facilita a fluência
24
A cada duas ou
três folhas do álbum ha-
via um nome de mulher,
seguido de esboços em
carvão dum rosto e dum
corpo, com descrições re-
lativas à persona-
lidade da retra-
tada, seguida
de longas me-
chas de cabelo.