Império Caído Volume 1 | Seite 9

O tempo passou, foi-se um ano, foram dois. O seu Ícaro supriu a vila com milho sem cessar, mesmo no escaldante verão aquele milharal estava verdejante, algumas vezes o ajudei, ele pegava água no riacho que passava ali perto e aguava toda a plantação ao amanhecer e ao anoitecer. Minha mãe começou a mudar sua comida, o milho era barato e ela conseguia fazer receitas únicas com a mistura deste com a carne de gado. Tendo exposto, até aqui, como tem sido minha vida desde que esse milharal entrou em nossa vida, direta ou indiretamente, devo explicar o motivo de escrever estas linhas. No verão desse ano o milharal morreu, não mais possuía um brilho verdejante, só aquele amarelado feio e cansado de plantas mortas. Junto com a morte da plantação veio à vila uma praga, deixava as pessoas fracas e anêmicas, junto com uma febre que custava a passar. Ainda no fim do ano minha querida mãe veio a falecer, assim como dezenas de outras pessoas da vila, meu pai e eu não tínhamos mais tempo para quase nada, fazíamos caixões o dia inteiro e as vezes trabalhávamos durante a noite. Com o dinheiro podemos no sustentar bem, mas nem meu velho nem eu eramos bons cozinheiros. Quando veio o inverno não houve chuva, as árvores estavam morrendo, assim como o gado, o trigo e os rios. Nossa região sofria de uma forma absurda, logo nem mesmo haveriam pessoas ali, pois a praga não havia ido embora e matava dezenas por mês. Minha saúde começou a piorar e meu pai me pediu para ir trabalhar com o Ícaro por um tempo, afirmando que conseguia se virar sozinho. O seu Ícaro havia construído uma pequena cabana no centro do milharal seco, teve que vender a casa que tinha no centro da vila para quitar suas dívidas. Eu e Rex chegamos após o almoço, o velho Ícaro estava preparando os baldes para buscar água no rio. Expliquei-lhe o