— Conseguiu achar?
— Uma só, está difícil achar esse tipo de árvore.
— Não tem muitas mesmo, se precisarmos de mais acho que
você vai ter que ir buscar na cidade vizinha.
— Acho que sim.
Deixei a madeira que trouxe no galpão onde meu pai
trabalhava, não foi muito, teria que passar o dia seguinte inteiro
para trazer a árvore inteira, pedaço por pedaço.
O jantar estava delicioso como sempre, minha mãe sempre
foi a melhor cozinheira da vila, conseguia brincar com os
sabores da carne e dos temperos com uma artista pintando uma
tela. Rex estava cabisbaixo, acho que o caminho cansou ele,
ficou ali no pé da mesa roendo os ossos que meu pai lhe dera.
— Pai, de quem é o milharal depois da floresta?
— Milharal? Aquela terra ainda é do velho Epigeu, amor?
— Acho que não, querido. — minha mãe respondeu
pensativa. — Ele não tinha vendido para o seu Ícaro no verão?
— Verdade, tinha esquecido, não sabia que o Ícaro estava
plantando milho agora. Achei que tinha comprado para criar
gado.
A conversa acabou logo e nos retiramos, eu sonhei durante
aquela noite. Sonhei com o milharal verdejante crescendo e
crescendo, subindo acima das árvores, se erguendo além das
nuvens e, por fim, tocando o sol e o envolvendo. Acordei com o
Rex latindo na minha porta, achei que ele queria ir passear, mas
assim que abri a porta ele entrou correndo e se deitou na minha
cama. Cachorro bobo.
Depois do desjejum fui pegar o resto da madeira, estava
amarelada e cheia de fungos, levou um bom tempo para limpar,
mas, ainda assim, consegui levar a madeira toda antes do
anoitecer.