Império Caído Volume 1 | Page 7

Relato 1: O fazendeiro “Tudo começou há alguns anos, meu pai, na época ainda vivo, havia me instruído ao manejo do machado e das serras, ele era marceneiro e eu tornei-me lenhador para dar-lhe ajuda. Enquanto ele ficava em nossa casa tratando a madeira e a dando forma de móveis, brinquedos e ferramentas, eu caminhava pela floresta buscando árvores belas e robustas para levar-lhe. Comigo caminhava sempre meu amigo desde a mais tenra infância, Rex era um vira-lata de pelo amarelado e orelhas grandes, ele gostava de passear comigo e eu muito admirava sua companhia. Em uma tarde daquele inverno meu pai pediu que eu trouxesse madeira branca, pois precisava para fazer uma mesa. Saímos, eu e Rex, logo após o almoço e adentramos a floresta. O tempo foi passando e a busca se seguiu por mais horas, não havíamos encontrado nada quando saímos do outro lado da floresta, pela primeira vez desde que comecei esse trabalho. Ali havia um grande milharal. — Vamos, garoto. Chamei meu cachorro, mas ele não ouviu, estava de orelhas em pé, observando a plantação como um caçador que avistara uma presa. Novamente o chamei, dessa vez ele me atendeu e fizemos o caminho de volta, por sorte conseguimos encontrar uma árvore de madeira esbranquiçada, na época achei ser um eucalipto, mas era jovem e não tinha o conhecimento que tenho hoje, agora sei que não o era. Pouco após o anoitecer chegamos em casa, o cheiro do ensopado de minha mãe estava delicioso e meu pai, sentado em sua cadeira de balanço, estava esculpindo um pequeno pássaro, talvez um brinquedo para alguma criança.