Império Caído Volume 1 | Page 10

motivo de estar ali e ele me pediu que fosse buscar água em seu lugar. Quando trouxe ele sentou-se no batente da porta e encarou a plantação. — Eu não entendo. Quando eu comprei o primeiro saco desse milho me disseram que não precisava me preocupar, pois ele me alimentaria até o fim da minha vida. Mas, por Deus, foram apenas alguns anos! — Não é milho daqui? — Não, não. Comprei de uma caravana, no começo achei que fosse só mentiras de vendedor, depois achei que era verdade, mas agora… — É realmente triste, seu Ícaro. Talvez tenha sido essa praga, até a floresta está morrendo. — Não sei. Garoto, você sabe ler e escrever? — Sim, senhor. — Venha cá. Ele me levou para dentro da cabana e começou a procurar algo, logo saiu e me entregou este livro de capa de metal no qual agora escrevo, o pequeno rosto assustou-me de início, mas logo o ignorei. O senhor me pediu para ler o que tinha ali, mas apesar de escrito com nossas letras havia apenas um nome sentido e uma frase estranha que deu-me um aterrorizante calafrio na espinha e até hoje me treme o pensamento. Depois desse evento nada grande ocorreu por meses, até o mês passado. A vila estava com poucas pessoas e o seu Ícaro morreu, ele não tinha família e o cemitério estava lotado, enterrei-o no milharal o qual foi sua grande felicidade tempos atrás. Naquela mesma noite sonhei com minha mãe, ela me ensinava a fazer um ensopado de milho e carne. Não veio chuva. A praga não parou.