motivo de estar ali e ele me pediu que fosse buscar água em seu
lugar. Quando trouxe ele sentou-se no batente da porta e encarou
a plantação.
— Eu não entendo. Quando eu comprei o primeiro saco desse
milho me disseram que não precisava me preocupar, pois ele me
alimentaria até o fim da minha vida. Mas, por Deus, foram
apenas alguns anos!
— Não é milho daqui?
— Não, não. Comprei de uma caravana, no começo achei que
fosse só mentiras de vendedor, depois achei que era verdade,
mas agora…
— É realmente triste, seu Ícaro. Talvez tenha sido essa praga,
até a floresta está morrendo.
— Não sei. Garoto, você sabe ler e escrever?
— Sim, senhor.
— Venha cá.
Ele me levou para dentro da cabana e começou a procurar
algo, logo saiu e me entregou este livro de capa de metal no qual
agora escrevo, o pequeno rosto assustou-me de início, mas logo
o ignorei. O senhor me pediu para ler o que tinha ali, mas apesar
de escrito com nossas letras havia apenas um nome sentido e
uma frase estranha que deu-me um aterrorizante calafrio na
espinha e até hoje me treme o pensamento.
Depois desse evento nada grande ocorreu por meses, até o
mês passado. A vila estava com poucas pessoas e o seu Ícaro
morreu, ele não tinha família e o cemitério estava lotado,
enterrei-o no milharal o qual foi sua grande felicidade tempos
atrás. Naquela mesma noite sonhei com minha mãe, ela me
ensinava a fazer um ensopado de milho e carne.
Não veio chuva.
A praga não parou.