Império Caído Volume 1 | Page 13

antes de me acalmar e voltar para a sala de trabalho, fechando a janela antes de sair. O carteiro tocou a campainha, outro impedimento ao meu trabalho, ele entregou-me uma caixa sem remetente e a carta que há muito esperava. Guardei a carta na gaveta de minha escrivaninha, o medo de seu conteúdo me impediu de abri-la, apenas ver que o remetente era da agência imaginei que aquela era a resposta sobre meu pedido para uma exposição com minhas obras. Abri a caixa e o cheiro doce de laranjas encheu a sala, mas lá dentro só havia este velho livro no qual escrevo este relato. Nem me dei ao trabalho de o abrir, coloquei sobre a escrivaninha e voltei para a sala de trabalho, o cheiro de laranjas estava ali também. Respirei fundo aproveitando o doce aroma e comecei a pintura. Movimento após movimento me envolvi naquela dança que, antes julgava ser comigo mesma, mas logo notei que era com o desconhecido. As pinceladas eram lentas e precisas, cada cor me envolvia e me preenchia, os meus olhos moviam-se rápidos, saltando do espelho onde me via para a tela. Os minutos foram passados e estes logo se tornaram horas, as tintas acabavam, mas eu estava tão presa na pintura que apenas continuei, com as cores que me sobravam. A primeira que acabou foi a vermelha. O tempo continuou passando e nem mais olhava para o espelho, os detalhes estavam gravados na minha mente. Logo terminei e dei uma boa olhada para ela, meu rosto sério e concentrado dava um ar interessante, descansei o pincel e a paleta e fui tomar um banho para almoçar. Assim que entrei na cozinha lembrei do furto que o gato realizou mais cedo e, levemente irritada, tive que fritar ovos. Enquanto mexia com a colher encarei a gema, aquele amarelo com tons de vermelho, mas ainda não era laranja. Depois do