Império Caído Volume 1 | Page 14

almoço sentei-me para descansar, mas aquela imagem não me saia da cabeça, voltei para a sala de trabalho e peguei os tubos de tinta que ainda tinha guardados. Comecei a misturar o amarelo e o vermelho buscando aquela cor, mas quanto mais tentava, mais longe dela eu estava. O cheiro de laranjas vindo do livro começava a me enjoar. Outro ruído de panelas sendo remexidas, peguei minha sandália e fui discretamente à cozinha, tentando não fazer barulho. A janela estava aberta e o gato do vizinho estava comendo meu macarrão. Por um segundo uma ideia surgiu na minha mente. Como um lampejo amarelo. Eu corri para a janela e a fechei, o gato correu, talvez imaginando o que havia surgido em minha cabeça. Eu peguei uma faca e a vassoura, fui lentamente caminhando atrás dele, estava na minha sala de trabalho, perto do meu autorretrato, aquela pintura era o ponto final das minhas pinturas, devia deixar essa ideia absurda e parar com essa perseguição. Não valia a pena, perder aquela pintura, tão natural, tão simples, tão… Faltou-me vontade para desistir, fechei a porta para que ele não fugisse e sacrifiquei minha obra. Como eu disse antes, isso foi há cerca de um mês. Hoje meus quadros estão por todos os lugares dessa cidade, não as pinturas falhas e de péssimo gosto que eu pintava anteriormente. Não. O que faz as pessoas sonharem com meus quadros durante a noite, o que faz com que tenham o desejo de tomá-los para si, o que faz com que deixem sua vida de lado para admirar minhas obras é esse amarelo. Essa cor deliciosa que parece derreter meus olhos pincelada após pincelada. O primeiro ‘estoque’ do vermelho durou pouco, mas meu vizinho passou mais de uma semana me perguntando sobre o maldito gato, então ele próprio foi um sacrifício em nome da arte. Entretanto, esta noite vou tentar conseguir mais