Hatari! Revista de Cinema HATARI! #02 Teen Movies (2015) | Page 23

consumação completa da representação de felicidade que é o próprio Ferris (a felicida- de, que é o sentimento segundo o qual tudo dá certo, tudo parece possível). Nesses mo- mentos, fazemos efetivamente parte de um todo, pertencemos a algum lugar, a alguém, ao mundo, somos infinito, como a frase de efeito de As Vantagens de Ser Invisível (The Perks of Being a Wallflower, 2011), de Stephen Chbosky. É em nada menos que felicidade que consiste o éter da música de Lily Chou-chou em Tudo sobre Lily (Riri Shushu no Subete, 2001), de Shunji Iwai). FANTASIA (o desejo e o devaneio; so- nhar acordado; idealismo e puerilidade) “Why are you messing with the phantasy? We know about reality. Don’t ruin the phan- tasy, okay?” - Gary em Mulher Nota Mil. O arrebatamento do desejo e a esperan- ça de que se realize - que as coisas não se- jam tão desanimadoras no próximo momen- to - tudo é possível a partir de agora (mesmo com a intuição de que há uma direção ir- resistível dos acontecimentos, diferente da dos desejos). É prazeroso acreditar nas fan- tasias? Talvez o mesmo prazer do cinema, do jogo, da recordação dos sonhos? O prólogo de Mulher Nota Mil (Weird Science, 1985), de J. Hughes é a chave do fil- me e o exponencia de comédia maluca para representação de uma fantasia adolescente. Gary e Wyatt observam garotas se exer- citando no ginásio da escola. Gary (Anthony Michael Hall) expressa seu desejo que é a trama do filme: namorar uma garota, dar uma huge party, todo mundo convidado. Wyatt (Ilan Mitchell-Smith) interrompe: “but no- body likes us, Gary”, e Gary responde o que KELLY LEBROCK EM MULHER NOTA 1000 (1985)