Neste sentido, deve entender-se que as políticas estão condicionadas pelos ambientes econômico, social, tecnológico e institucional em que se inscrevem. Porém, condicionadas não quer
dizer determinadas, posto que as decisões políticas são também
fruto da liberdade e da responsabilidade de quem decide.5
A governança democrática, como seu nome indica, necessita das regras e procedimentos democráticos e se consolidará à
medida que os valores e atitudes próprios da sociedade aberta
e democrática sejam interiorizados pela sociedade e seus líderes
políticos sejam sua expressão prática, e não apenas pelo respeito
às regras do jogo democrático. A organização atual da sociedade em rede, baseada nas interdependências, requer um
marco democrático de responsabilidades que não pode ser
assegurado de maneira centralizada nem hierárquica pelos
governos; precisa, sim, de uma responsabilidade com cooperação entre os atores e setores da cidadania, definida e organizada de forma plural.6
A argumentação anterior também nos serve para destacar
que a governança democrática é uma forma de governar
própria de determinadas ideologias políticas ou partidos políticos. Com efeito, a partir da aceitação das regras do jogo
democrático, qualquer opção política pode desenvolver as
metodologias da gestão relacional ou das interdependências,
uma vez que estas são objetivas. As opções políticas, portanto,
não se distinguem pelo uso das técnicas de gestão nem pelo
modo de governar adotado, mas pelos valores que perseguem
com o modo de governar, e que se expressam pelos eleitos e
representantes políticos.
No paradigma do governo como gestor do gasto público,
a distinção não se devia ao tipo de gestão, mas, sobretudo, à
5 Ver PRATS, J. Ética del oficio político, em Instituciones y desarrollo, n. 14-15, 2003,
p. 205 a 209.
6 INNERARITY, D. Op. cit. p.199.
200
Governança Democrática: Construção coletiva do desenvolvimento das cidades