Governança Democrática - 3ª Edição | Page 144

As sociedades, ou etapas sociais de uma mesma sociedade, mais repressivas e exploradoras coincidem com uma maior intensidade desse domínio, sendo difícil saber se foi a opressão generalizada que o gerou ou se ele é a chave para entender o aparecimento do autoritarismo. O certo é que no Ocidente, nos países do Primeiro Mundo inseridos na era infoglobal, o processo de emancipação da mulher significa a quebra das relações de autoridade e dominação estabelecidas na sociedade industrial, muda a estrutura do mercado de trabalho e dá sustentação ao surgimento de novas relações sociais e familiares. A cidade infoglobal pressupõe a entrada massiva da mulher no mercado de trabalho. Na maioria dos países do Primeiro Mundo, o número de mulheres nas universidades é superior ao dos homens, há muito tempo. A população feminina tem maior êxito escolar que a população masculina. Isto, evidentemente, não significa que, na maioria das cidades, as desigualdades de gênero e o domínio masculino nos postos de direção das empresas e instituições públicas ainda não sejam notórios, mas o que nenhum analista pode deixar de ressaltar é o processo de mudança em curso. As transformações urbanas anteriormente apontadas, como a individualização das relações sociais, o aparecimento de novos tipos de família, a criação de capital social, etc, estão intrinsecamente ligadas ao processo de emancipação da mulher. Entretanto, o mais interessante é que o movimento de mulheres tenha se voltado recentemente para a análise da cidade – da sua morfologia até seus conteúdos, das infraestruturas à cultura, do seu passado ao seu futuro – e desenvolva suas perspectivas de ação a partir do ponto de vista feminino. 142 Governança Democrática: Construção coletiva do desenvolvimento das cidades