As sociedades, ou etapas sociais de uma mesma sociedade,
mais repressivas e exploradoras coincidem com uma maior
intensidade desse domínio, sendo difícil saber se foi a opressão
generalizada que o gerou ou se ele é a chave para entender o
aparecimento do autoritarismo.
O certo é que no Ocidente, nos países do Primeiro Mundo
inseridos na era infoglobal, o processo de emancipação da
mulher significa a quebra das relações de autoridade e dominação estabelecidas na sociedade industrial, muda a estrutura
do mercado de trabalho e dá sustentação ao surgimento de
novas relações sociais e familiares.
A cidade infoglobal pressupõe a entrada massiva da mulher
no mercado de trabalho. Na maioria dos países do Primeiro
Mundo, o número de mulheres nas universidades é superior ao
dos homens, há muito tempo. A população feminina tem maior
êxito escolar que a população masculina. Isto, evidentemente,
não significa que, na maioria das cidades, as desigualdades de
gênero e o domínio masculino nos postos de direção das
empresas e instituições públicas ainda não sejam notórios, mas
o que nenhum analista pode deixar de ressaltar é o processo de
mudança em curso.
As transformações urbanas anteriormente apontadas, como
a individualização das relações sociais, o aparecimento de novos
tipos de família, a criação de capital social, etc, estão intrinsecamente ligadas ao processo de emancipação da mulher.
Entretanto, o mais interessante é que o movimento de
mulheres tenha se voltado recentemente para a análise da
cidade – da sua morfologia até seus conteúdos, das infraestruturas à cultura, do seu passado ao seu futuro – e desenvolva
suas perspectivas de ação a partir do ponto de vista feminino.
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Governança Democrática: Construção coletiva do desenvolvimento das cidades