Ainda agora aqui cheguei , / Logo pûs o pé na escada , Logo o meu coração disse , / Aqui mora gente honrada .
E depois havia uma história com pedidos de salpicão , e da criada mandriona ou da dona que não queria mandar .
A Páscoa era a festa mais importante do ano , bem mais importante do que o Natal . Começava pelas limpezas . O cheiro da aguarrás e da cera , e a Cila de joelhos a encerar o chão do corredor . Os vidros lavados e esfregados com bolinhas de jornal . Que bolos se faziam ? Talvez o bolo manel ou o queque imperial , não havia outros bolos de festas . E as amêndoas , bebés cheios de licor que o pai trazia do Nicola . E as outras , brancas e cor de rosa e as de chocolate – que eu não comia , porque pensava que eram pedaços de chouriço . O passeio da sexta-feira santa era mandatório : íamos passear com os primos , e sempre me lembro de sol , pinhais e de terra barrenta que se agarrava aos pés em solas tão grossas que tínhamos de parar . E esquecíamo-nos sempre das 3 horas da tarde , hora de morte de Cristo : dávamos por nós a cantar em altos brados , talvez a Madelon , talvez outra qualquer , no meio de pinhais cheios de pólen e campos a estuar de flores . A visita pascal era depois do almoço de domingo . A Madrinha ia pôr a toalha de renda com estrelas ,
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