Tchaikovski , a Arlesienne de Bizet , a Sinfonia Incompleta de Schubert , todo um século dezanove a complementar o sítio onde eu vivia , os livros que lia , a atmosfera da família .
Gostava de ouvir o meu Pai tocar piano e acordeon . Gostava de ouvir a Madrinha tocar piano . A minha Mãe também tocava , mas pouco me recordo . E depois havia o pick-up da Madrinha , uma pequena maleta castanha onde ouvíamos os discos de tangos de 45 rotações e aquela peça conhecida de Grieg ... ah , o Peer Gynt . Mas o meu som preferido – ainda hoje – é a água a correr . A bica do tanque dia e noite , o Cértima em camadas irregulares por cima do cascalho roxo e dourado , os ribeirinhos que se formavam no barro após a chuva .
O quintal das Poças é húmido e virado a norte . Uma encosta construída pelo Cértima e cheia de cascalho irregular . Alguém – quem ? – lhe desenhou terraços , murou-os , planeou escadas de pedra e lhe deu um ar de labirinto . As Poças estão na família há muitas gerações . O nome , claro , vem das múltiplas nascentes que lhe encharcam constantemente o solo mesmo nas piores secas . Tem locais com nomes próprios – o Telheiro , a Eira , o Buxo , onde há buxos talvez bicentenários com flores minúsculas que têm o perfume mais delicado que conheço e cujos frutos parecem